Para quem chega: A dança das moedas de Satoshi.

Nesse 2019, celebramos o aniversário de número 11 do Whitepaper do Bitcoin, escrito pelo misterioso Satoshi Nakamoto. Durante esses anos muita coisa aconteceu e neles foram criados alguns mitos e má interpretações sobre o que o Whitepaper queria dizer e sobre, principalmente, anonimato versus privacidade.
Gostaria de dividir a história em partes, mas antes, seria interessante prover um rápido e básico contexto do que é o Bitcoin, como o título do próprio Whitepaper menciona:
“Bitcoin: Um Sistema de Dinheiro Eletrônico Peer-to-Peer”
É uma solução de dinheiro eletrônico para que as pessoas possam transacionar entre si, sem intermediários.
Serão detalhados nos próximos posts coisas como carteira, nós, mineradores, taxas e detalhes que nem sempre são explicados para quem está chegando agora.
A maior confusão que entendo ser um ponto importante para se focar é a diferença entre 3 principais moedas que brigam pelo posto de Bitcoin: BTC, BCH e BSV. Respectivamente, Bitcoin Core, Bitcoin Cash e Bitcoin Satoshi’s Vision.
Antes de mais nada, a essas siglas, chamamos de tickers, que são como as siglas de ações ou moedas convencionais que encontramos por aí.
* BTC — Bitcoin Core: Originalmente, seguiu o Whitepaper, tendo sido minerado desde o seu início, com supply total de 21.000.000 e valor fiat 0. Muito se discutiu sobre sua capacidade escalar, tamanho de blocos e velocidade de transação. É o que hoje o Mercado comum e as pessoas que chegam às criptomoedas chamam de Bitcoin. Ele é a origem e teve seu código desenvolvido por Satoshi Nakamoto, ou equipe Satoshi. Por motivos desconhecidos, Satoshi entregou o controle de tudo, incluindo o código fonte, a Gavin Andresen, quem ele considerou responsal e que levaria o Bitcoin pelo caminho planejado. Gavin por sua vez, incluiu mais pessoas ao time, então, se dá início ao time Core.
* BCH — Bitcoin Cash: Criado a partir de um fork, o intuito do BCH é o aumento de transações por minuto, redução de taxas, melhorias de segurança e suporte a blocos maiores, já que o BTC se limitava a 1Mb por bloco. Por trás do Bitcoin Cash, encontram-se nomes como Roger Ver (Bitcoin Jesus) e Jihan Wu (Empresário chinês dono da Bitmain).
* BSV — Bitcoin Satoshi’s Vision: Em novembro de 2018, acontecia um novo fork. Dessa vez envolvendo o BCH, gerando a BSV. Craig Wright (cientista chefe da NChain) e Calvin Ayre (fundador da Ayre Group e Bodog). A BSV defende alta escalabilidade e inicia apresentando o limite de 128Mb por bloco, enquanto a BCH apresentava 8Mb como limite. Durante esse período ocorreu a marcante “Hash War” fazendo com o que mercado despencasse em market cap com ameaças e brigas entre os dois lados.
Claro que existe muita história e referências sobre essas moedas e sugiro que seja feita uma pesquisa para se obter detalhes sobre os ocorridos e pessoas envolvidas.
O que se defende também com a BSV, é a regulamentação do Bitcoin. Com isso, tanto BCH como BTC, ficariam de fora. Existe muita polêmica sobre isso na comunidade pois muitas pessoas acreditam que as criptomoedas são uma forma de libertação do atual sistema governamental e financeiro. Já outras pessoas, consideram isso fantasia e que devemos dançar conforme a música, seguindo regulamentações, pagando as taxas (justas) e seguindo nossas vidas.
Algo mais polêmico ainda, é a relação de Craig Steven Wright (CSW) no universo Bitcoin. Em 2016, ele foi apontado como sendo Satoshi Nakamoto. Em momento nenhum, inicialmente, ele disse ser o misterioso inventor do Bitcoin.
O que se seguiu foram fatos cada vez mais polêmicos. Gavin Andresen, um dos membros do Core team, chegou a ter contato com Wright, ter uma mensagem criptografada assinada em sua frente, com um computador comprado na hora e tirado da caixa no momento da vlidação. Andrensen, afirmou a todos que Wright seria Satoshi Nakamoto. Desde então, uma nova discussão divide as pessoas. Muitas não concordam e não acreditam que CSW é Satoshi Nakamoto e outras dizem que acreditam. Desde então, Wright reclama o título e causa cada vez mais atrito entre quem acredita e quem não.
A BSV não se assume como um fork do Bitcoin, mas sim, como o Bitcoin em si. Isso porque se alega que o BTC se perdeu do seu caminho sugerido no Whitepaper quando se tornou subjugado a Blockstream, empresa por trás da Lightning Network (LN) uma side chain que propõe que as transações sejam feitas fora da rede do BTC, ou seja, fora da blockchain e com isso, causando problemas legais, pois se tornam transmissores de dinheiro.
Já para a BCH, existe o problema de que ela também emprega novas ideias de protocolo e também tem se debandado para o lado do anonimato nas transações de sua rede.
Além disso, a BSV busca a restauração do protocolo original, que deve acontecer finalmente no ano de 2020, assim, a parte principal do protocolo estaria selada e definida como algo que não apresentaria surpresas para quem desejar desenvolver seus produtos na sua blockchain.
Um ponto de incerteza na adoção de criptos como o BTC e a BCH é a incerteza das alterações que o time responsável possa aplicar sobre o protocolo base. Por mais que se nomeia e glorifique a decentralização, temos times por trás de todas essas moedas. O que a BSV está propondo, é que a partir de determinado momento, se garanta que o protocolo não seja mais alterado. Com isso, garantindo a estabilidade e a possibilidade que seja um alicerce forte para a novas aplicações blockchain.
Quem chega nesse novo universo se sente mesmo perdido. Mas é necessário mente aberta para analisar os fatos e tomar a decisão de apoiar a tecnologia que pode tomar o caminho mais correto e seguro em um mundo que deseja adotar a blockchain e o Bitcoin como o Futuro.
