Quando menos é mais

Na primeira cena de 10 Cloverfield Lane, vemos uma cena muda aonde Mary Elizabeth Verdadeiro-Amor-Da-Minha-Vida Winstead olha pela janela, atende o celular, e sai do apartamento levando uma caixa. Quando a porta se fecha, a câmera foca e se enquadra em cima da mesa, aonde repousam uma chave e um anel.

É uma cena curtíssima, sem nenhuma fala, sem nenhuma introdução prévia, mas que conta toda uma história com muito pouco.

Em uma época de super produções, campanhas de marketing que duram meses, encontros épicos de heróis, aonde esperam-se 68 personagens no já hypado The Avengers 3, o filme se destaca pela simplicidade, desde seu lançamento extremamente enxuto: o primeiro trailer surgiu na surdina, poucas semanas antes do lançamento. Antes disso, o nome oficial do filme nem havia sido revelado — ele era conhecido como “The Cellar” ou “Valencia” e até o nome dos atores era mantido em sigilo.

E são apenas 3 atores, durante o filme todo. Os cenários são simplórios. O roteiro não te pega pela mão e te guia pela história como os últimos blockbusters nos acostumaram. Pelo contrário, ela te joga em uma deliciosa montanha-russa cheia de guinadas, quedas e alguns leves momentos de calmaria. Durante todo o filme, você vê o que a personagem principal vê e, o que é mais legal: você só sabe o que ela sabe. Isso cria longas situações de tensão, que me remeteram aos melhores momentos de mistério de Lost, também do J.J. Abrams, que assina a produção e parece ter metido o dedo do começo ao fim da obra.

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O filme obviamente só funciona por ser também muito bem dirigido, conseguindo ser alternadamente calmo, claustrofóbico, tenso e sempre misterioso. O trio de atores mostra uma química foda, em especial John Goodman, alternando sentimentos abruptamente, por vezes sendo explosivo e rude, outras vezes sendo afável e bom, de forma que começamos a imaginar se nós não estamos sendo paranóicos, pensamentos que sentimos na pele provavelmente sedosa e macia de Mary Casa-Comigo Elizabeth Winstead, que consegue dar a força suficiente ao personagem para rolar a empatia necessária com o telespectador. As músicas-pop-desconhecidas da década de 70 (outra característica importada de Lost) estão lá, sempre muito bem escolhidas e encaixadas.

Uma história bem feita, atuações exemplares, uma direção justa porém firme e principalmente o fato de confiar na inteligência do público são as características que fazem de 10 Cloverfield Lane a maior surpresa cinematográfica do ano e um thriller obrigatório para os fãs do gênero. Além é claro de ter a Mary Elizabeth Eu-Te-Amo Winstead em todas as cenas.

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Me liga, Mary!