Amei?

Não sei.


Tentei te esquecer, não deu. Nas noites mais frias daquele inverno eu lembrava do teu rosto, do teu sorriso. Nada me acalmava, tentava mergulhar na leitura de um romance qualquer, iludir-me nos filmes melodramáticos que passavam na televisão. Um dia confesso que pensei em escrever um poema,mas imaginem só o quão decepcionante seriam os versos de alguém como eu.

Quiçá agora eu entenda porque nunca me amou, porque nunca vi o amor dos meus olhos refletidos no castanho dos seus. Oras, se eu tivesse entendido antes, quantas horas a olhar pela janela do 73B eu teria evitado.

Vasculhando bem as memórias do nosso caso, hei de dizer que nunca te amei, nem por um momento. Seus lindos olhos, seu lindo cabelo, seus lindos lábios vermelhos, sua pele — nunca amei, juro.

Pensei em terminar assim, mas pense só o quanto eu sofreria por cometer tais calúnias — amei-te. No entanto, ficam aqui registrados os momentos de delírio e fúria que me causaste, sua… sua… ah, vá qualquer pejorativo.

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