
Discos e laranjas
Na Benedito Calixto
Na carteira desbotada procuro os centavos. Amanhã é sábado, dia de ir comprar alguns discos. Acho o suficiente, me deito pensando em qual barraca, em qual senhor vou dar meus centavos em troca de uma boa música.
Acordo, bebo um café requentado de 4 dias atrás que não me anima, nem desanima. Pego o sapato, dou uma limpada na poeira que insiste em não sair, visto a camisa abarrotada, estou pronto. Pego o ônibus em direção a Benedito Calixto. Ansioso, derrubo algumas moedas. Não dei importância, eram de 5 centavos. Pulo do ônibus, quase dou com a cara no chão, mas só saio com o joelho reclamando.
Avisto os vinis de longe, preparo os dedos e começo a procurar pela música que na vitrola tire a minha solidão pra dançar. Acho um, dois, três, quatro… O dinheiro não me é suficiente, resmungo comigo mesmo pelos 5 centavos, demoro em decidir qual escolher, não escolho nenhum. Compro um suco de laranja na vendinha azul e branca. Triste e sem discos — que sábado fatídico.
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