
Típico de São Paulo
a chuva, a impaciência e as calçadas
Não sei ao bem o que escrever hoje. A cabeça dói, o pé reclama do frio, as nuvens estão mal humoradas. Preciso achar um assunto, mas qual assunto? Corro, tropeço, reclamo, mas não desisto da escrita. Vejo um pássaro, não vejo uma história. Tropeço mais uma vez na calçada, quase trombo com a moça do vestido vermelho e verde. Bem, o tema será a moça do vestido vermelho e verde. Corro novamente em direção ao apartamento, erro a chave, erro de novo, finalmente essa é a chave, sento na cadeira de madeira, coloco o papel na máquina de escrever. Já esqueci da moça, já esqueci das cores do seu vestido e de seus sapatos.
Desanimado, sento a olhar para a janela que dá para a praça, vejo um mendigo dormindo com seu cachorro ferrugem que brinca com um pedaço de pão velho. Coloco um filme argentino qualquer na TV, tento me emocionar mas falho. Desligo a TV e pego um Dostoiévski para me distrair. Não distrai, fico confuso e atordoado, a dor de cabeça aumenta e as nuvens choram, boa hora para dormir.
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