
Um acaso
Uma vez, um dia, uma noite
Roberto estava atrasado para uma entrevista de emprego. Era jornalista, 23 anos. Não achou adequada camisa alguma que enfileiravam seu armário. Esgueirou-se pelas escadas do prédio, ouvia Cícero em seu iPod. Correu para a loja mais próxima atrás de uma camisa, de preferência turquesa.
Luiza, 21 anos, acordou cedo, precisava de um vestido para a festa da amiga. Como queria algo deslumbrante e no seu repertório de roupas não viu nada do seu agrado, pegou sua bicicleta e foi à sua loja preferida.
Os dois entretidos na busca pela vestimenta ideal, num acaso dos olhares se encontram. Roberto não acreditou quando viu aquele rosto estupendo envolto pelos mais lindos fios de cabelo que já havia visto. Luiza se encantou com os olhos profundos dele, azuis, azuis como a camisa que Roberto procurava.
Segundo o relógio que via incrédulo o mútuo fascínio de Roberto e Luiza, o momento durou menos de um minuto. Para os dois durou a eternidade.
Mas tratou-se de um acaso, um triste acaso. Roberto comprou a camisa, conseguiu o emprego. Luiza comprou o vestido, não foi a festa.
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