espectadora do apocalipse

sou dessas que nunca aprenderam a ir embora. vou ficando até o fim, fechando bar, qdo há bares, durmo na rede dos amigos, as amigas dormem no banheiro. e eu ali ficando, até que noto e parto. preciso aprender a notar antes.

mas agora, por exemplo, mesmo depois de tudo acabado, com trabalho por fazer, e-mail pra responder, quartos pra arrumar, não consigo desgrudar da tv senado, sentindo essa tristeza profunda.

é o senador collor, minha gente, quem lembra a história das leis trabalhistas. e o lindenbergh tem razão, é o coração que dói, o paim lembra a alma escrava, q ele diz q chora mas q na realidade nunca parou de chorar. as senadoras tomaram de assalto a cadeira do presidente. se penso bem, é óbvio que não gosto de nenhum deles. delas gosto à revelia, dsclp. mas há que reconhecer, sem esquecer o que fazem em momentos-chave.

pior que tudo se coloca como tão vão. no tuíter todas perguntam por que não estamos tacando fogo em tudo. eu acho que é porque temos medo da pm. a moça trotskista apareceu no tuíter convocando a revolução. foi a primeira vez desde q a sigo, e faz tempo. talvez ela esteja certa: não nos resta mais nada, o q temos a perder se já nos arrancaram tudo? e vão continuar arrancando o que encontrarem, até aquelas coisas que a gente nem sabia que tinha.

tratemos de encontrá-las antes e protegê-las. o coração e a alma, não pessoas sozinhas, mas nós próprias e umas a alma e o coração das outras. do contrário a gente não sobrevive, minha gente.

lembra quando a gente chegou um dia a acreditar que o aécio seria comido? assistimos indignadas, porém petrificadas, o áudio do jucá se cumprir como profecia. com o stf com tudo. é tanto golpe q me tornei essa pessoa prostrada q planeja uma fuga. tenho pensado em virar nômade. a fátima bezerra fala do golpe continuado. não consigo completar a imagem, pra mim é um paradoxo. são golpes, um atrás do outro, cada vez mais forte, e a gente de tanto tomar na cara já nem reage.

a gente acreditou em tanta coisa, mas a gente não contava com tanta coisa. nem tinha como contar. e olha que considerávamos tantos cenários. a gente considerava muitos fracassos — muitos torciam pelos fracassos. mas quem iria pensar no sete a um. nem eles, tanto que esgoelaram, crianças mimadas, no estádio maldito, depois de terem esgoelado nos carnamanifesto verdeamarelo, depois de na mesma copa terem mandado a presidenta tomar no cu. depois foram rolar na paulista feito crianças loucas que têm um pedido negado. não elegeram o presidente dele e toparam ser massa de manobra disto. o fato é q nem esses mimados maleducados prepotentes torcedores do fracasso contavam com aquela desgraça. e a gente ia acreditando, pq qq cenário parecia tão mais temeroso e olha nós aqui. faço jogo de palavras pobres, mas não posso me furtar. é tudo tão horrível.

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