O individualismo introspectivo

Como o pensamento introspectivo se autodefine? De que forma suas carências no mundo moderno são influenciadas pelo individualismo? E essa influência surge como? Qual é o ponto de vista sociológico da introspecção e suas sugestões?

Muito se fala sobre a introspecção e como a sociedade trata essa característica cada vez mais comum no momento. O ponto de vista que domina e tem dominado há anos o pensamento popular é de que o indivíduo introspectivo (ou tímido, como dizem) só tem a perder no sistema coletivista.

Primeiramente, existe uma grande diferença entre timidez e introspecção. A timidez se dá por uma sensação momentânea de medo ao desconhecido, enquanto a introspecção toma um caráter de personalidade subentendido no discurso de independência de qualquer interação social na formação de momentos gratificantes. Ou seja, o tímido pode ser introspectivo e pensar que seu bem-estar não é condicionado pela interação social, assim como o tímido pode ser dependente de círculos sociais que exercitem os campos físicos, psicológicos, e acima de tudo emocionais.

O pensamento introspectivo se define como capaz de “recarregar” suas energias ao se retirar de exercícios de sociabilidade. Ele tem como principal fonte de produtividade os curtos ou longos momentos de isolamento, sendo assim ele naturalmente sai especializado em algum assunto presente na internet, nas grandes e pequenas mídias, ou em livros, tais como artes ou ciência. Momentos de isolamento trazem um autoconhecimento marcante, portanto o introspectivo constantemente fica em estado de observação, seja dele mesmo ou de outrem.

A afirmação constante da associação felicidade-coletividade se dá por conta da cultura da extroversão. Tudo o que é considerado saudável físico ou psicologicamente tem como base a conversação, a interação entre indivíduos, a premissa do ritual de influência naturalmente instaurado desde a pré-história. Isso é repetido milhares de vezes por pais, professores, estudiosos, e até certo ponto tem sua serventia para o desenvolvimento humano. Porém existe uma alarmante falha nessa simples fórmula, falha que apenas os introvertidos conseguem identificar:

O individualismo histórico.

É com pesar que afirmamos que existe um ciclo totalmente meritocrata no pensamento extrovertido. Massivamente, a cultura de extroversão passa a mensagem de que felicidade se constrói pela interação social, mas de maneira hipócrita usa do puro individualismo esperando uma mudança. Antes de tudo devemos lembrar que a sociedade vê o introspectivo como tímido e logo trata essa característica de personalidade como uma rápida e curta reação ao desconhecido. Sendo assim, uma mudança rápida não necessita de uma real reflexão sobre o assunto. É aí que começa o problema.

De tanto se afirmar que a sua natureza é nociva, o introspectivo adquire aversão a qualquer ato genuinamente extrovertido, logo sentindo aversão também ao individuo extrovertido. Isso é muito semelhante ao caso do narcisismo moderno, assunto que pode ser tratado em outro post.

Enfim, tanto se fala sobre a tal interação social que por fim o introspectivo (alguns, obviamente) adquire a vontade de conhecer o tal universo extrovertido, mas nenhuma medida é tomada pelos extrovertidos detentores do círculo social. Não existe a chamada “inclusão social de introvertidos” no ponto de vista meritocrata da sociedade extrovertida.

Esse texto tem como fundamento teórico o pensamento marxista, portanto ideias como meritocracia e individualismo são condenadas a cada instante.
Sim, se você acredita que o indivíduo introvertido deve provar do universo extrovertido apenas por mérito próprio esse texto não é para o seu eu atual. Ou desista por aqui ou procure se informar sobre a teoria.

Na maioria das vezes o extrovertido trata apenas a gentileza como elemento suficiente à aproximação social, mas não é.

Medidas como a similaridade de ideias entre o introvertido e o extrovertido ajudam e muito. Logo, se você demonstra interesse por um assunto que foi pauta do introvertido, o introvertido tende a demonstrar interesse pelo extrovertido.

O autor do texto chega a supor uma união entre individuos introspectivos, tal qual uma ativismo que respeite seus limites como introvertido e conscientize a sociedade de que

mudanças positivas se dão por conta própria, e não por pressão e manipulação.

Sendo a introversão um assunto subjetivo, ou seja, o que eu posso considerar extrovertido pra você pode ser nada, por que não tratar disso com a filosofia “um grupo de azul não nota sua cor até que saibam da existência do vermelho”? A criação de grupos de introvertidos (apenas os insatisfeitos com as suas condições) pode ajudar a desfazer essa alienação introjetada de que introspectivos são inevitáveis futuros alvos de psicopatologias.

A paciência com conversas curtas, os episódios de isolamento e a possível resistência são necessárias para a inclusão de pessoas fechadas. É importante lembrar que nem sempre o introvertido está disponível a qualquer interação, o intuito de tudo isso se forma no conceito de liberdade pra ser quem você quiser. Existem sim introvertidos muito bem satisfeitos com a forma que levam a vida, assim como existem pessoas que sofrem por não conseguirem se encaixar no círculo fechado de atitudes exclusivas à capacidade extrovertida. Não force ninguém.

É perfeitamente natural a pluralidade de personalidades e isso deve ser lembrado constantemente em cada ato social. Acima de tudo, a liberdade nos deixa escolher (ou pelo menos conhecer-se) o que e como nós podemos lidar com o nosso self.

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