a vida se perde lá fora

Enquanto eu ia para sua casa naquela tarde abafada de São Paulo, dentro daquele carro antigo ouvindo Lucy In The Sky With Diamonds, via teu nome em todas as esquinas… Eu, perdida entre sorrisos de malícia e suspiros de delícia, já te conhecia antes mesmo de te reconhecer naquele apartamento perdido no centro velho dessa cidade enlouquecida.
E fui, como quem sabe onde vai chegar.

Trafeguei entre carros e avenidas, sendo cada vez mais sua menina até a porta do seu apartamento se abrir na minha vida mudando o tom dos meus dias: novas telas coloridas — uma galeria de arte em meio à tanta ilusão perdida.

Fomos entregues no meio da tarde — dois corpos pelo tesão energizados, escarlates. Suas gatas passeando pelo quarto, tua arte se fazendo presente e teu gozo repousando cansado em meus lábios: tudo junto e misturado — sendo, agora, só lembranças de um passado que me marcou e transformou em uma nova mulher — com desejos “i”mäculados.