Sobre Culpa

Hoje acordei me sentindo um merda.
Minha casa estava arrumada,
tava tudo nos conformes com a graduação.
Mas mesmo assim, de alguma forma, me senti errado.
Isso me tomou toda vontade,
toda minha potência de agir.
E acima de tudo,
tomou toda minha autoestima.
{tanto que, ao final deste texto,
buscarei por aprovação antes de publicá-lo.}
Me senti culpado,
e me senti totalmente derrotado por essa culpa.
Por essa culpa cristã.
Muitas pessoas chegaram a se chibatar, se violentar e,
acima de tudo, se reprimir em prol desse sentimento.
E é assim que me sinto agora.
Sentimento esse que provém de crenças que eu sequer acato,
que se relaciona com valores que escravizam essa vida
em função de uma suposta outra.
Valores que não compactuo.
Ainda assim, hoje a culpa cristã pairou sobre mim.
Pairou de forma a me fazer pensar que
sentir-se bem consigo mesmo e se aceitar seja,
de alguma forma, um ato revolucionário.
Hoje ela não só pairou sobre mim, ela me venceu.
Mas amanhã voltarei mais forte.
Há muito tempo deixei de acreditar em um deus,
hoje luto para deixar de ser um cristão.


No fim, tirar estes escritos de dentro de mim foi saudável, reconfortante. Como quando precisamos de um abraço. Como quando — mesmo não fumantes — sentem um breve desejo por um cigarro.
Talvez, quem sabe, eu já esteja mais forte.


Adendo: esse texto é da série “coisas que eu já havia escrito e só tô upando aqui por motivos de ameba”, o nome é autoexplicativo.

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