Já vou, mãe.

— Filho, vai levar o cachorro na rua.

— Já vou, mãe.

Deitado olhando para o teto com o universo inteiro dentro da cabeça ou apenas aquele branco sem graça da tinta que ele não escolheu para pintarem o quarto ele nunca vai.

— Filho, arruma o seu quarto.

— Já arrumo, pai.

E fica aquele estado pós Katrina dentro do cômodo. É a chuteira derramando borrachinha do campo society, é o violão com uma corda estourada que não teve tempo de trocar.

— Joga pela gente, seleção!

— Jogamos sim.

É zagueiro que não dá carrinho, volante que não se apresenta, lateral que não apoia, ponta que não volta para marcar, meia que erra passe e atacante que não sabe cabecear.

Porque tem coisa que só se resolve na bronca?