Rinpoche: o precioso senhor do Chagdud Gonpa Brasil

Por Jane Tromge [Chagdud Khadro] 
Revista Bodigaya no. 1, inverno de 1996

Entre as organizações budistas no Brasil, o grupo de budismo tibetano conhecido por Chagdud Gonpa Brasil tem sido uma presença nova e dinâmica desde que seu fundador, Sua Eminência Chagdud Tulku Rinpoche (chamado geralmente por “Rinpoche”), estabeleceu residência aqui em 1995. Centros e grupos de meditação se formaram em sete cidades, um centro rural de retiro — que será a sede do primeiro templo Tibetano tradicional na América do Sul — está sendo construído no Rio Grande do Sul; plantas arquitetônicas estão sendo desenhadas para um centro de retiro urbano em São Paulo e para um centro de retiro rural nas proximidades de Belo Horizonte e, ainda, preparativos para grandes eventos culturais e de ensinamentos estão a caminho.

Contudo, mais importante que qualquer destes sinais externos de progresso é a resposta dos brasileiros aos ensinamentos. Alguns ouviram os ensinamentos do Rinpoche sobre a essência da sabedoria e compaixão que pode se desenvolver através da meditação da deidade Tara Vermelha e, agora, estão descobrindo as qualidades de Tara dentro de si mesmos. Outros escutaram os ensinamentos sobre as Quatro Contemplações que Transformam a Mente — meditações preliminares comuns a todas as tradições do budismo — e estão utilizando-as para perceber o modo de operação interno de suas mentes. Outros ainda, iniciaram um nível exigente de preliminares específicas do Budismo Tibetano Vajrayana e estão em processo de realização de cem mil prostrações de corpo inteiro (ao solo) juntamente com práticas para ultrapassar obscurecimentos que impedem o reconhecimento da verdadeira natureza da mente.

Através dos preliminares Vajrayana, os praticantes esperam realizar poderosa purificação e trazer à tona as qualidades positivas de suas mentes. Isso abre- lhes a porta para receberem os mais elevados ensinamentos do Budismo — as valiosas técnicas de visualização da Maha Yoga; o treinamento dos ventos, canais e chacras da Anu Yoga; e o reconhecimento da natureza absoluta da Ati Yoga.

Em janeiro passado, dezoito praticantes se habilitaram a freqüentar um retiro de um mês no qual Rinpoche transmitiu os ensinamentos Ati Yoga (também chamado “Dzogchen” ou da “Grande Perfeição”).

Este retiro, ocorrido no centro rural Chagdud Gonpa próximo a Três Coroas, RS, provavelmente foi o primeiro no gênero realizado na América do Sul e os participantes consideraram-no tremendamente inspirador. Nos Estados Unidos, onde Rinpoche viveu de 1979 a 1995, o Retiro Dzogchen acontece a cada ano desde 1981 tendo emergido daí seus estudantes mais realizados.

Rinpoche freqüentemente é questionado sobre a razão de ter escolhido o Brasil e, particularmente, o Rio Grande do Sul. Se as pessoas esperam uma resposta esotérica ou mística, elas se desapontarão em saber que Rinpoche firmemente enfatiza a importância das pessoas que ele encontrou aqui como estudantes em relação a coisas como o poder da terra ou forças invisíveis. Ele sabe de sua experiência própria que terras ou mesmo nações têm uma existência momentânea, compartilhando a ilusão dos seus habitantes.

Nos anos cinqüenta, os exércitos conquistadores da China Comunista forçaram Rinpoche ao exílio do Tibete, onde por séculos ele renasceu como o abade do Chagdud Gonpa, um famoso mosteiro situado ao leste do país. Depois disso, ele viveu em várias localidades do Nepal e Índia durante vinte anos, antes devir para os Estados Unidos e, passando a viajar constantemente, estabeleceu dez fortes centros e outros grupos de meditação na América do Norte e Europa.

Durante o período de trinta e seis anos entre o momento em que Rinpoche deixou o Tibete até chegar ao Brasil, ele esteve sempre engajado em atividades- ensinamento, construção, publicação, trabalho em arte e no treinamento de estudantes nas danças tradicionais e artes do Budismo Tibetano Vajrayana. Aqueles que trabalharam com ele admiram-se quer da dedicação incansável e concentração a tudo que está fazendo, como também da sua habilidade de redirecionar e expandir suas atividades.

Um exemplo disso foi sua transferência para o Brasil exatamente quando seus centros nos Estados Unidos começavam a prosperar e sua residência na Califórnia tinha se tornado extremamente confortável. Seus alunos nos Estados Unidos ficaram atônitos e mesmo outros lamas Tibetanos ficaram perplexos.

Para entender a motivação do Rinpoche, deve-se compreender o significado de Bodisatva. Um Bodisatva é alguém cuja compaixão lhe fez despertar o compromisso de alcançar a iluminação a fim de beneficiar todos os seres vivos. Em níveis mais elevados, os Bodisatvas reconhecem completamente a natureza absoluta de suas mentes e, conscientemente, escolhem renascer em certos reinos da existência, mesmo nos três terríveis reinos inferiores, com o propósito de liberar os seres dos intermináveis ciclos de sofrimento.

Um Bodisatva que teve uma sucessão de renascimentos como um elevado lama — a continuidade de uma certa disposição mental — é chamado de “tulku”, exatamente como 5. E. Chagdud Tulku Rinpoche após ser reconhecido como encarnação do abade do famoso monastério Chagdud Gonpa. A força do renascimento intencional permite que os bodisatvas-tulkus mantenham conexão com aqueles que mais se beneficiarão com seus ensinamentos e exemplo. Portanto, é uma profunda satisfação quando um professor, observando a audiência, vê alguns rostos com os olhos brilhando pela compreensão. Do ponto de vista Vajrayana, essas pessoas podem ter ouvido ensinamentos similares em ciclos anteriores de existência ou o desenvolvimento espiritual tomou tais mentes receptivas e preparadas para perceber o significado do que está sendo dito naquele momento.

Rinpoche veio ao Brasil seis vezes nos quatro anos anteriores a sua mudança e sempre encontrou essa “luz da compreensão” nos olhos de muitos dos que assistem aos seus ensinamentos sobre o Darma.

Quando perguntado por seus estudantes americanos sobre o desenvolvimento do Darma do Buda no Brasil, ele respondeu com energia e entusiasmo. Quando prepara suas viagens, ele sempre prioriza o Brasil. E, ainda, uma série de importantes práticas do darma, que não foram passadas aos estudantes americanos, ele planejou transmitir aos brasileiros.

A transferência do Rinpoche para o Brasil abriu várias frentes de atividades. Uma é o ensino aos brasileiros das danças sagradas dos Lamas do Budismo Tibetano, realizadas com grande disciplina em trajes elaborados. Outra é o trabalho com aquelas pessoas em situação grave, que estão morrendo. O Budismo Tibetano oferece técnicas soberbas para transformar a transição da morte numa oportunidade suprema para transcender ao sofrimento do renascimento cíclico. Os praticantes podem treinar tais técnicas e aplicá-las no momento da morte. Um grupo de assistência deste tipo se formou no Chagdud Odsal Ling, o centro Chagdud Gonpa de São Paulo. Uma conferência sobre “A Arte de Morrer” está sendo organizada para a próxima primavera, e Sogyal Rinpoche, um renomado lama Tibetano e autor do Livro Tibetano da Vida e da Morte concordou em participar.

No centro rural próximo de Três Coroas, os planos para a construção de um templo em estilo Tibetano estão sendo assistidos por um proeminente arquiteto em Porto Alegre e um engenheiro em Santa Cruz do Sul. Um grupo de brasileiros ofereceu ao Chagdud Gonpa generoso suporte em termos de fundos, materiais e mão de obra, mas será necessário muito mais para alavancar projetos tão amplos quanto construir o templo e os centros em São Paulo e Belo Horizonte.

S.Ema. Chagdud Tulku Rinpoche não está preocupada. “Projetos se realizam por conhecimento e mérito”, diz. “Certamente o conhecimento está disponível. Os brasileiros são muito competentes e positivos na abordagem dos projetos e realizam muito. Eu creio não ter subestimado seus méritos. Como as pessoas praticam os ensinamentos Vajrayana, suas qualidades de generosidade, disciplina, paciência, entusiasmo, etc. — todas as qualidades necessárias para realizar atividades sagradas — emergem espontaneamente da sua intrínseca natureza pura.

E desta riqueza de qualidades que a riqueza material se produz. Levará bastante tempo, certamente haverá obstáculos a ultrapassar, porém eu tenho confiança de que a interdependência está presente para esta grande realização”.

Todos as pessoas que conhecem este velho e sábio mestre, amado por sua afetuosidade, humor e compaixão, além de conselheiro tão direto e prático, esperam que ele esteja certo. Elas gostariam de oferecer-lhe o templo como um presente, exatamente como ele o ofereceria: como uma mandala às Três Joias (Buda, Darma e Sanga).

Depoimentos dos Praticantes

Estamos reunidos para o primeiro retiro Dzogchen do Brasil e da América Latina nas proximidades de Três Coroas/ cidade encastoada como uma pequena joia no sopé das montanhas que fazem parte da Serra Gaúcha. Quando nosso mestre Chagdud T. Rinpoche tomou a decisão de vir morar em nosso país e girar a roda do Darma, não pudemos conter nossa alegria com notícia tão auspiciosa! A partir daquele momento nos conscientizamos da magnitude e bênçãos de tê-lo conosco, mas também de nossa responsabilidade em ajudá-lo no que fosse possível para que maior número de pessoas pudessem ter acesso aos magníficos e profundos ensinamentos Vajrayana do budismo tibetano.
No início do ano de 1995 seus alunos mais antigos foram solenemente pedirão Rinpoche, que os retiros de primeiro e segundo ano,, referentes aos ensinamentos da grande perfeição /Dzogchen), pudessem finalmente ser realizados em nosso país. Aguardamos sua resposta, com a certeza de que seria uma empreitada e tanto. Muito trabalho a ser realizado, o que nos motivou ainda mais em face da “chuva de bênçãos” que iríamos receber em forma de ensinamentos. Parecíamos formiguinhas correndo para todos os lados ajudando no que fosse possível para que tudo ficasse pronto em tempo hábil. Tínhamos as construções do Gonpa, cozinha, depósitos, banheiros e uma pequena estrada para dar acesso melhor às edificações. Para que tudo isso pudesse acontecer, contamos com a diligência de todos os irmãos e irmãs da sangha de Porto Alegre e também dos que vieram de Belo Horizonte, São Paulo, etc, oferecendo sua ajuda de uma forma generosa e eficaz. Finalmente, reunimo-nos todos em volta do mestre como se fôssemos abelhas atraídas por uma linda flor cheia de néctar. Era meados de janeiro de 1996!
Do alto das terras do Chagdud Gonpa Brasil se descortina uma das mais belas vistas da serra: a pequena cidade de Três Coroas circundada por uma seqüência de montanhas numa disposição em forma de gigantesca mandala. Isto, por si só, já leva o praticante a outro nível de energia; convidando-o a abrir as portas de sua mente, facilitando sua entrada no estado meditativo.
Desde o início, tivemos um ritmo bem intenso de retiro, recebendo ensinamentos que só um mestre realizado pode oferecer.
Sempre que ouvimos Rinpoche, mesmo que já tenhamos recebido os ensinamentos anteriormente, parece que eles se renovam e entram em nossa mente-coração de uma maneira mais clara e pura. Sentimos que os laços entre mestre e aluno se fazem de uma mistura especial de entrega e confiança. Então, o aluno utiliza as ferrramentas que o professor lhe oferece, usando-as na experiência diária e nas suas práticas. Quando realizadas com diligência, produzem resultados positivos, beneficiando não só o aluno como todos os seres sencientes, um dos nossos maiores objetivos.
Alguns de nós já haviam feito o primeiro ano de retiro nos EUA e estávamos recebendo ensinamentos do segundo ano em separado. Nossa prática passou a ser feita numa pequena casa no meio da floresta para a qual íamos de jipe todas as manhãs, voltando á tarde, para nos reunirmos aos demais. Foi muito importante esse contato, pois a energia trocada com as pessoas dava suporte e força nos momentos de interiorização.
Ao escrever este pequeno texto para a Revista Bodigaya, lembrei-me imediatamente do mestre quando nos pede para checarmos sempre nossa motivação ao iniciarmos qualquer atividade. E o que me veio foi uma vontade enorme de colocar em algumas linhas, mesmo que com leves pinceladas, a preciosidade de termos entre nós Rinpoche, sua esposa, Jane Tromge e Lama Tsering Everest residindo no Chagdud Conpa Brasil-SP. Que o nobre Dharma possa se irradiar como o arco-íris, em todas as direções, deixando sua esteira de paz e harmonia.

Maria Ruth Malta 
Padma Tso Mo 
São Paulo.

A vivência de um retiro Dzogchen se coloca para mim como um divisor de águas em relação à forma de percepção do mundo. Os conhecimentos lá adquiridos não se dão de uma forma convencional, teoricamente, mas através de uma profunda vivência experimental.
As transformações que lentamente sentimos se processam num nível sutil.
A forma humanista de nos colocarmos no centro do universo se altera quando nos damos conta do valor de uma vida, seja a de um presi-dente ou de uma formiga. Todas têm um sentido, um motivo de ser e, en-fim, cada vida vale uma vida.
Os problemas do dia a dia, as dificuldades de relacionamento não deixam de existir, mas nos colocamos de maneira diferente, vendo-os através de uma dimensão mais ampla.
Com a meditação continuada, as emoções não são mais discriminadas ou abafadas e colocadas embaixo do tapete. Apenas estão lá, são observadas e tanto faz se são boas ou ruins. Ou, por outro ângulo, praticamos o exercício que nos liberta do apego e da aversão, do gostar e não gostar.
Observar paciente e persistentemente amplia a nossa mente, auxiliando-nos a, paulatinamente, poder desabrochar sua verdadeira natureza.

Maria Ignez Samarani 
Pema Chötso 
Porto Alegre.

O que foi ter participado do primeiro retiro Dzogchen no Brasil?
Este questionamento ainda não está muito claro para mim. A abrangência e profundidade ainda não foi totalmente “digerida”!
Penso que o Budismo e, principalmente, Chagdud Tulku Rinpoche aconteceram na minha vida como estas aragens de primavera, tão refrescantes e suaves que dá gosto senti-las, sem falar muito. A magia está muito forte ainda em mim, no meu coração e, as palavras são pobres para exprimir tais sentimentos.
Encontrar Rinpoche, em 1993, foi como encontrar um elo perdido do meu coração — não importava não entender sua mensagem verbal, subjacente a ela fluía algo que tocava diretamente meu coração, minha sensibilidade e tudo ficava bem, tudo estava certo.
Assim foi o retiro. Assim foi na preparação para o retiro: sabia que era este o caminho e ao percorrê-lo ganhei muito em disciplina pessoal, coragem e vontade amorosa, cuidando-me da compulsão, tão fácil de envenenar a disciplina.
Durante o retiro, todas estas qualidades desenvolvidas nas práticas preliminares foram muito úteis, pois deram-me o suporte necessário aos desafios que lá encontraríamos. Os medos sempre nos acompanham e não seria diference naquela situação.
Também sei hoje que a presença de um Mestre é o suporte fundamental para nossos desafios, junto com uma Sanga acolhedora.
Quando lembro do retiro, vem- me a imagem do Rinpoche entrando no templo e cumprimentando-nos com seu sorriso amoroso e alegre. Isto bastava para nos conectarmos à motivação e ao desejo de ir adiante, fazendo o melhor possível.
O retiro foi o Rinpoche, foi a Sanga, a disponibilidade da Jane, da Lama Tsering, foi cada dia que construímos juntos a possibilidade de termos entre nós o Darma; estabelecido num Gonpa que frutificará para muitas gerações de praticantes, em benefício de todos os seres.

Leda Shirley R. Volino 
Pema Wangchen Lhamo 
Porto Alegre.

Conheci o Rinpoche por ocasião de sua primeira vinda ao Brasil em 1991. O primeiro trabalho que fiz com ele foi o workshop de P’howa (transferência de consciência no momento da morte) e na semana seguinte passamos cinco dias num retiro de yoga dos Sonhos. No segundo dia desse retiro pude restabelecer profundas vivências internas que pensei estarem perdidas dentro de mim: o amor e a compaixão. Eu não tinha dúvidas: havia, finalmente, encontrado o meu mestre.
Iniciei um estudo intensivo do Vajrayana, que, para mim, então, era um vasto mundo complexo e sofisticado. Minha conexão com o Rinpoche, no entanto, era o elo que me punha em movimento e se estreitava mais e mais à medida que minha prática amadurecia. Ali diante de mim se descortinavam os frutos preciosos do meu carma construtivo — S. E. Chagdud Tulku Rinpoche é um mestre da Grande Perfeição e um dos maiores, como pude constatar pela minha própria experiência após esses poucos anos de aprendizado com ele e, também, por observações feitas em minhas viagens aos Estados Unidos e ao Nepal. Ele é único.
Como requisito básico para estar habilitada a participar dos retiros nos quais o Rinpoche ensina a Grande Perfeição, ouvi os ensinamentos para as Práticas Preliminares e as pratiquei durante um ano até concluir as suas quatro acumulações. Fiz dois retiros de Crande Perfeição com o Rinpoche nos Estados Unidos. Foi no segundo ano que parei de buscar…encontrei. Finalmente encontrei!!!
Ali diante de mim se descortinavam os frutos preciosos do nosso carma coletivo construtivo: o Rinpoche, único entre todos os Rinpoches, por sua profunda compaixão, generosidade e compromisso, faz o que nenhum fez: estabelece sua residência no Brasil.
Providencio tudo e me mudo de São Paulo para Três Coroas (ou seriam Três Jóias?) onde desde junho de 1995 estamos construindo o Chagdud Conpa Brasil. Não fazemos ainda ideia da verdadeira importância de agora podermos contar com retiros da Grande Perfeição aqui entre nós, em português e transmitidos por esse grande Bodisatva. Mas o fato é que o primeiro já aconteceu e, dependendo de nós, muitos outros poderão segui-lo. Que todos possam se beneficiar!

Clarita Maia 
 São Paulo.

Eu sempre lembrarei do retiro Dzogchen. Foi uma experiência inigualável. Nunca imaginei que em um retiro eu ajudaria a tirar carros atolados na lama, acompanhar a perfuração de um poço artesiano, auxiliar a fazer mesa de madeira, etc. Mas, percebi que estas atividades eram importantes, pois durante a execução das tarefas diárias podíamos colocar em prática os ensinamentos recebidos.
Eu conheci Chagdud Rinpoche há três anos e, durante os 30 dias de convivência com ele, tive a experiência de que seu amor e compaixão são infinitamente maiores do que pensava. Durante todo o retiro ele tinha um cuidado extremo em transmitir a nós os ensinamentos de maneira clara e exata. Ele tinha preocupação enorme em saber se nós entendíamos exatamente o que ele tinha explicado. Se não entendíamos ele voltava a explicar tudo, inclusive modificando a abordagem para que realmente compreendêssemos.
Lembro também do carinho dos membros da sanga, sempre ajudando uns aos outros.
E uma oportunidade rara termos aqui no Brasil, bem perto de nós, um dos poucos mestres da Grande Perfeição, disposto a nos ensinar o Darma com grande amor e compaixão.
Possa o Poderoso Senhor da Dança permanecer sempre estável na imortalidade dos Três Segredos!

Adalberto P. Silva 
Padma Sangye Dorje
Belo Horizonte.

A primeira vez que encontrei com Rinpoche e os ensinamentos do Budismo tudo parecia muito estranho e diferente do que eu conhecia e acreditava até então. Mas ao mesmo tempo, havia um sentimento de afinidade; uma atração. Com o tempo tomou-se muito clara minha forte conexão com o Darma e com Rinpoche e fui percebendo que era essencial para mim ser sua estudante e servi-lo. Atualmente é com grande felicidade que constato que um velho sentimento e vazio e insatisfação que me acompanhava, desapareceu e observo os efeitos da prática do Darma na minha mente e, consequentemente, na minha vida.

Andréia S. Lima [Lama Sherab]
Padma Sherab Drolma
Belo Horizonte.

Pensamentos Sobre o Casamento

Por S. Ema. Chagdud Tulku Rinpoche

Desde o início do casamento, vocês precisam pensar claramente sobre qual direção querem dar a ele. O importante não é tanto estarem juntos, mas sim como vocês utilizarão o tempo que passarem um com o outro.

Casamento significa fazer um compromisso de, pelo resto da vida, viver com alguém em harmonia, alegria, amor, afeto e, ainda, com a intenção de beneficiar ao outro tanto quanto possível.

Isto significa aspirar e colocar, dia a dia, a felicidade do seu companheiro(a) antes mesmo da sua própria. Tanto no nível mundano quanto espiritual, significa estar determinado a satisfazer as necessidades e contribuir para o crescimento espiritual um do outro.

O amor genuíno e não egoísta que vocês expressam mutuamente gerará a virtude que os levará à felicidade nesta vida e dissemina as sementes da felicidade futura.

Cada um de vocês escolheu o outro dentre todas as demais flores deste jardim terreno, então, é importante que abordem o casamento com o desejo altruísta de beneficiar o(a) parceiro(a) tanto quanto possível, quer nos momentos de alegria como de dor.

Se um homem entra em um relacionamento pensando: “Esta é agora minha mulher, é dever dela dar-me tudo que preciso e fazer-me feliz”, ou se uma mulher pensa: “Este é agora o meu marido, ele me deve a felicidade, ele deve satisfazer-me”, tais expectativas só trarão problemas.

Ao invés de cobrarem isto um do outro e esperarem receber algo para si, façam um compromisso de dar felicidade ao próximo. Conscientizem-se de como aquilo que se diz ou faz afeta quem está do nosso lado.

Procurem aprender o que deixa seu companheiro (a) feliz e em paz mental.

Se cada um se interessar pela felicidade do outro, nada poderá separá-los.

A ligação não poderá ser quebrada.

Se, por outro lado, você colocar a responsabilidade da sua felicidade na companhia que escolheu ou sentir que ele ou ela lhe devem algo, você só enxergará as falhas dele(a).

Se a motivação fundamental é a esperança naquilo que o outro lhe trará, seu casamento não será nada fácil e a felicidade não durará muito. Encarar o casamento sob uma perspectiva autocentrada, automaticamente estabelece condições que impedirão a grande bênção que é possível alcançar.

Porém, se a motivação é levar felicidade ao outro, vocês serão felizes a curto e longo prazo, e levarão felicidade também àqueles que estiverem ao seu redor.

Este é o significado de ter sucesso no casamento, quer no sentido espiritual quanto mundano.

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