A reportagem contou com esse infográfico com algumas informações pertinente sobre HIV/Aids como sintomas, explicações sobre o vírus/doença e quais locais procurar em Fortaleza

Mais que dados.

Os dados, seja quais são, vêm de um algum lugar; refletem algum amontoado de informações, muitas vezes sobre pessoas; e, como o próprio texto fala, contam histórias. É a partir desse ponto (contar histórias), que eu sigo esse relato.

Ao ler o texto, não pude evitar lembrar sobre uma reportagem que fiz no meu estágio, em agosto de 2018. Semanalmente, a Secretaria de Saúde do Estado do Ceará (Sesa) libera uma planilha com dados sobre “doenças de notificação compulsória” — o documento apresenta números sobre vários males, desde Dengue, Zyka à HIV/Aids.

E foi justamente essa última doença infecção o tema da minha reportagem. À época, a chefe de produção do jornal, notou que o Ceará já havia registrado 66 óbitos por conta da Aids. Além desse número, a planilha também informava a quantidade de pessoas infectadas com o vírus HIV (560; e quantas manifestaram a doença Aids (352).

Mas onde eu quero chegar com isso? Logo no início do texto, o autor cita “dados são uma representação da vida real” (p. 2). E logo após, na página 5, ele fala “às vezes você pode contar a história de um ponto de vista emotivo que encoraje os espectadores a refletir sobre os dados”.

Foi devido a esses trechos, que lembrei da minha reportagem — a qual puxei pelo gancho “Aids matou uma pessoa a cada 3 dias no Ceará, em 2018”. Eu sei que o texto fala em “padrões e relações”, mas no caso da minha reportagem eu não pude criar um comparativo, pois a Sesa não disponibilizou tabelas de outros anos (além de um balanço do ano passado [2017]), e não era esse o foco da minha abordagem.

E é justamente pensando no foco da reportagem, a partir da leitura do texto, que eu refleti sobre o modo como eu contei a história daquilo que poderia ser apenas números. A reportagem traz falas de médico, especialista, e o principal: uma personagem que convive com HIV/Aids, mas não se deixou abalar com a situação.

É por isso que a parte do texto que fala em “às vezes, elas são feitas para promover urgência ou obrigar as pessoas a agir” (p. 6)” chamou tanto minha atenção. No caso da reportagem, os dados representavam pessoas; indivíduos que tinham falecido por conta de uma doença, que ainda carrega muitas dúvidas e tabus entre a sociedade. Não eram só dados. Não eram só números. Não era uma linha e coluna de uma planilha.

Talvez o trabalho do estatístico se resuma em analisar esses dados — mas acredito que não. Porém, no jornalismo, nós devemos sempre manter em mente que estamos falando sobre vidas, sobre pessoas, sobre histórias.

Todos os meus (des)entendimentos sobre jornalismo de dados vão deixar o Riverson curioso

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