Meu primeiro Jejum de 36 horas

Antes de mais nada, não sou especialista nessa área, somente alguém que procura descobrir como nosso corpo trabalha e tudo o que descrevo aqui é um teste pessoal baseado em relatos de outras pessoas que fizeram o mesmo.

Comecei a escrever esse artigo no final das 36 horas do meu jejum. Acordei as 5:20 da manhã com o corpo e cabeça cheios de energia, após 34 horas de jejum.

Uma pequena introdução sobre mim

Tenho 37 anos e desde os 8 anos de idade comecei a ganhar peso e desde então venho lutando contra a obesidade. Já passei por Endocrinologistas, nutricionistas, personal trainers e clínicas de emagrecimento. Refiz várias dietas e já tomei remédios, principalmente durante minha adolescência nos anos 90, incluindo remédios proibidos hoje em dia.

Já cheguei a pesar 128 quilos em 2006. Com 1.76m de altura eu estava muito acima do meu peso e nesse ponto eu comecei a tentar mudar, pois minha saúde vinha sendo prejudicada. Desde então passei a me dedicar mais a me cuidar, porém com parcial sucesso, com idas e vindas, chegando a reduzir meu peso para 101 quilos e tempos depois retomando.

No começo desse ano meu peso estava em torno dos 115 quilos, sempre com as metas de fim de ano tentando focar em perder peso.

As dietas e jejuns intermitentes desse ano

Comecei em Abril a controlar minha alimentação com dietas, consegui reduzir uns 4 quilos, porém a minha cabeça ficava sempre me tentando, porque dieta restritiva era um fardo com tanta coisa gostosa pra se comer. Geralmente optava por dietas com baixo carboidratos, cortando principalmente o açúcar e pão.

Eis que esse ano ouço muito sobre o jejum intermitente de 16 até 24 horas e resolvo arriscar. Pensar que devo jantar por volta das 8 da noite de só ter outra refeição ao meio dia do dia seguinte não parece um desafio, seria só deixar de tomar o café da manhã.

Determinado comecei a fazer e vi que não era difícil, então fui conciliando a dieta que estava fazendo com o jejum intermitente. A fome aparecia sempre pela manhã, pois eu sempre tive o hábito de comer, mas quando se cria uma regra a cabeça passa a obedecer, mesmo quando o estômago pedia pra consumir algo.

Não foi difícil se adaptar as 16 horas, acordava, me arrumava e ia trabalhar. O almoço já era mais aguardado e minha sensação era que minha produtividade aumentava nesse período. Comecei a fazer todo dia, pois não era algo que me incomodava e conseguia ficar pulando uma refeição. Perdi um pouco de peso, mas o que mais ganhei nesse período foi um pouco de controle sobre minha fome, pois procurava comer coisas melhores na hora do almoço.

Você pode achar que o corpo se adapta, mas isso não acontece. Quase todas as manhãs eu sentia fome. Algumas vezes com mais intensidade, sentindo principalmente meu estômago reclamando, outras vezes a cabeça pedindo pra eu me deliciar com um belo pão com manteiga.

Jejum 24 horas

Após um tempo decidi arriscar o jejum 24 horas. Esse é um pouco mais complicado. Os conflitos descritos no jejum de 16 horas são muito maiores, pois são mais refeições e o período maior que o corpo fica querendo combater.

Decidi começar como o de 16 horas, após o jantar, como já estava acostumado a tirar o café da manhã seria muito mais fácil.

O processo é o mesmo das 16 horas, só que a hora que chega o horário do almoço o corpo pede muito mais. Tentava mudar o foco, mesmo vendo pessoas comendo e as vezes sentindo cheiro de comida no escritório onde trabalho. Após o horário de almoço o conflito é muito maior, com o corpo pedindo, a cabeça pensando em várias possibilidades de gostosuras pra quebrar a dieta e ao mesmo tempo meu consciente querendo ir até o fim.

Porém, ao contrário do que eu esperava, o jejum de 24 horas me deu muita energia. Seria como se o corpo parasse de gastar energia em uma parte e redirecionasse para outras, sendo que vi minha performance e meu foco no trabalho melhorar, mesmo com as distrações momentâneas com os roncos do estômago.

Ao final a tão esperada refeição do jantar quebrou esse ciclo. O interessante foi que, ao contrário do que eu imaginava, não emagreci durante esse período de jejum, talvez pelo acúmulo de liquido. Eu acredito que ingeri uns 3 litros de liquido durante as 24 horas sem comida. Só uma coisa que evitei foi fazer exercícios pesados nos dias do jejum. Principalmente pela manhã.

Repeti mais algumas vezes o jejum com mesmo resultados e meu peso foi diminuindo.

Exercícios e nutricionista

Por recomendação da minha esposa fomos a um nutricionista que me passou um cardápio semanal incluíndo jejum intermitente de 16 horas 3 vezes por semana.

Eu já vinha fazendo exercícios regulares e até correndo por alguns minutos, mas acabei deixando um pouco de lado quando comecei com o programa nutricional.

Como já estava em controle desde o começo do ano e meu peso já estava em torno de 106,5 kg, meu corpo não teve uma resposta muito rápida a dieta. Em 3 semanas de programa perdi em torno de 2 quilos. Aos domingos eu controlava menos, talvez isso afetou os resultados.

Jejum de 36 horas

Assim, num domingo após sair um pouco da alimentação (um dia com panetone, sorvete e outras refeições com calóricas), resolvi fazer dieta restritiva de carboidratos, excluindo inclusive frutas.

De 2a feira até 5a feira fiz tudo correto e meu peso caiu de 104.0 kg na segunda para 102.9 kg na sexta-feira pela manhã, onde comecei o jejum de 36 horas.

O objetivo era ficar do jantar da quinta feira até o café da manhã do sábado sem consumir nada sólido, mas caso não me sentisse bem, poderia jantar na sexta-feira. Um desafio que nunca tinha tentado e não tinha lido a respeito.

Havia lido sobre pessoas que fazem jejuns por tempos maiores, o que ativa a geração dos corpos cetônicos no organismo, pela falta de carboidratos, o que faz utilizar as reservas energéticas do organismo, ou seja, a gordura.

Na mesma semana, Jovem Nerd e Azaghal, 2 pessoas que acompanho e admiro muito, anunciaram cirurgia bariátrica para resolverem o problema de obesidade. Decidi pensar em caso eu tivesse feito essa cirurgia, como seria o meu pós operatório, que passam cerca de 2 semanas sem sólidos, e como minha cabeça reagiria. Isso me incentivou a fazer um desafio da “bariátrica mental”.

Posso dizer que muito me surpreendeu eu ter tido determinação de alcançar meu objetivo. O período do dia todo foi bem tranquilo, a fome vinha e ia embora. O estômago roncava várias vezes. A cabeça queria comer e a boca sentia necessidade da mastigação. Troquei o almoço por uma caminhada de 40 minutos.

Minha esposa, que a principio queria fazer junto comigo, acabou almoçando por volta das 14:00. Eu resisti sem problemas, ao mesmo tempo que trabalhava meu minha vontade de comer, me vi cada vez mais forte no controle. Sempre consumindo muita água e indo diversas vezes ao banheiro.

É um processo de desintoxicação e limpeza, retirando impurezas e desativando o sistema digestivo por um tempo, o que reflete em menos consumo de energia.

A noite foi chegando, terminei meu trabalho e começamos a assistir séries para distrair a cabeça. por volta das 20 horas me pesei e pra meu espanto, havia reduzido 1 kg de peso durante o dia, pesando 101.9 kg. Uma redução imensa na semana onde eu comecei com 104 kg e pra quem já estava em dieta desde 3 semanas antes.

Fui dormir por volta da meia noite, ainda com muita energia, pensando que pela manhã gostaria de comer várias gostosuras e ao mesmo tempo continuar minha dieta. Mas algo que refleti mais ainda foi que gostaria de fazer o jejum de 36 horas 2 vezes por semana.

E assim voltamos ao momento que estou. Agora são 7:02 da manhã e estou terminando esse artigo junto com o jejum. Há tempos que não me sentia tão inspirado para criar e escrever como hoje. Acordei com energia há quase 2 horas e não estou com sono ou vontade de dormir.

Meu peso? 101.5 kg. Muito próximo de uma meta que tenho há mais de 15 anos de cair abaixo dos 100 kg.

Conclusão

Uma coisa que observei com tudo isso é que nossa sociedade tem rotinas amarradas em refeições. Acordamos para o café da manhã; eventos sociais ou em grupo são sempre em restaurantes ou bares; cinema pede pipoca; amigos em casa com aperitivos.

Estamos numa sociedade em que a maioria passa a vida toda sem saber o que é ficar um dia sem comer, sendo que nosso corpo sabe lidar com essas situações.