O início de tudo

Quando o único caminho pleno é em frente

Todos devem passar por pelo menos um momento de desacreditação na vida. Desacreditar de si mesmo pode ser a abertura para começar uma nova abordagem na finita caminhada ou mesmo o abre-alas para o sucesso.

Inversamente o momento de descrença é gerado numa infelicidade. É possível que tal momento de revelação não seja também o desabrochar da flor, mas o apodrecer de um broto atacado por um verme.

E agora?

Não, este não é um texto motivacional clichê. Não será uma leitura com frases prontas que faz você se sentir bem por um dia. Ao mesmo tempo essa não é a hora de desistir dos projetos e seguir a existência de forma triste. O objetivo de construir este pequeno relato vem do íntimo que vê como a desistência é sedutora e forte. Vale ressaltar querer desistir é costume na vida do indivíduo comum do século XXI.

O hábito do fracasso camuflado como descobrimento pessoal

Atualmente com tamanha diversidade de conteúdo, técnica, capacidade e até talentos, espera-se que no erro haja uma espécie de iluminação, indicando que somente erramos porque determinada área não é nosso talento. Talento por talento é algo insignificante. Analisem uma área do conhecimento humano e seus principais produtores de conteúdo. Será nítido que mesmo os supostamente talentosos necessitaram dos bons e velhos parceiros esforço e disciplina.

Atletas de elite treinam mais de 8 horas por dia. Os grandes músicos de orquestra não fazem menos que 3 horas diárias de escalas e mais escalas. Talvez as pessoas ainda pensem que Van Gogh produziu somente Girassóis e Noite Estrelada, sem nenhum rabisco em tela descartada. Essa ilusão absurda leva cada vez mais jovens (embora afete todas as faixas etárias) a enfrentar um terreno incômodo enquanto estão descalços. Um fato é que nunca estaremos preparados como gostaríamos. Ganância foi injustiçada ao ser encarada como um pecado. Prefiro definir a mesma como um remédio. Remédios podem curar uma enfermidade, matar o paciente ou serem indiferentes, basta a dose exata.

O reerguer à la Rocky Balboa

Ao evidenciar a disciplina e o esforço como características transformadoras da realidade atual, notamos que esse processo não é confortável. Enquanto ficamos no pesaroso hábito de remoer derrotas, buscamos de forma quase involuntária um refrigério, uma paz. Temos necessidade de prêmios de consolação. Negamos a dor do esforço. Uma das fases do esforço físico por exemplo é o desconforto. As gotas de suor derramadas no treino de algo que se busca aperfeiçoar são bem pesadas, e rendem boas manchas no chão da vida.

Temos medo de sentir dor, como se sentir dor fosse o real problema. A dor é um alerta, e somente isso. Não se ignora um alerta, mas não se coloca a unidade de medida desse alerta num nível medíocre. Ser mais forte implica em se esforçar mais, e a dor acompanha todos os passos. Por defeito destas analogias, pode ser que a dor em questão seja interpretada como simplesmente física, porém é muito mais que isso. A dor está para o homem assim como o mar está para um peixe. O desconforto paira todos os espectros do ser, e quando o negamos, estamos negando quem somos e quem desejamos realmente ser.

Uma consideração: ser o melhor importa?

Os momentos anteriores desta leitura usam como exemplo o comportamento das mais altas camadas de potencialidades humanas. Não é possível todas as pessoas serem destaque das suas áreas porém uma intenção é clara, que ninguém deseja ser o pior. Estar abaixo do limiar que você propõe a si mesmo é talvez a mais notória forma de cair. A decepção por não atingir os sonhos é bastante atroz. Pior ainda que fracassar é ter o pensamento focado nos momentos que cedemos ao repouso, ao relaxamento e exageramos na dose. Mais uma vez a medida certa dá o norte da cura.

A conclusão é que sacrifícios devem ser feitos em algum momento. Não haverá paz para o espírito que não se sacrificar por suas metas. Ainda assim, o equilíbrio entre o sacrifício, o esforço, a disciplina e o repouso farão o balanço perfeito do carpe diem. No mais, pesquise um método, crie pequenas metas e aja com valentia. Supere-se e encontre a resposta que procura no momento em que a dor antiga não for mais efetiva para derrubar você. E se essa última parte soou motivacional clichê, peço desculpas.