A jornada financeira

(English version)

Fim. A Pós-graduação em Análise Financeira que tanto tempo me ocupou durante o último ano chegou finalmente ao seu termo. É certo que não foram ainda entregues os diplomas internacionais de “Certified European Financial Analyst” (EFFAS) e que o conhecimento que adquiri representa apenas uma infinidade do que é o mundo financeiro. No entanto, não me faltam argumentos para afirmar que o que alcancei neste ano (lectivo) foi extraordinário!

Sempre gostei de desafios e desde há dois anos que tinha vindo a tornar-se clara a intensão de expandir os meus conhecimentos por áreas diferentes do curso que concluí em 2012: engenharia informática. A primeira alternativa que considerei foi um MBA, mas cedo desisti da ideia, por me terem dito, durante um dos eventos que junta escolas e candidatos a esta formação, que não tinha experiência suficiente para embarcar em tal desafio. Após analisar outras alternativas, decidi-me pela Pós-Graduação em Análise Financeira no ISEG. Afinal de contas, sempre tive interesse pela matemática e pela área financeira (fosse lá isso o que fosse para mim na altura) e já tinha concluído um curso de finanças online. Tudo parecia indicar que iria ser simples… não podia estar mais enganado!

O choque foi evidente desde o primeiro dia, 21 de Setembro de 2015. As aulas tinham lugar às segundas e sextas, das 18h00 às 22h30, e aos sábados, das 9h00 às 13h30. Nos outros dias era necessário preparar as aulas e fazer trabalhos de grupo. Tudo isto enquanto mantinha um emprego e tentava, nem sempre com sucesso, manter uma relação aceitável com a família e amigos. O cansaço era tal que cheguei a recear não estar 100% apto para conduzir para casa após dias de 8h de trabalho seguidos de 4h de aulas.

O curso consistia em quatro blocos, cada um deles com 5 disciplinas de 14h. Cada bloco tinha cerca de 2 meses de aulas e duas semanas de exames, não havendo intervalo entre dois blocos consecutivos. Para concluir o curso, os alunos tinham que passar a 20 exames.

A turma era composta por 30 alunos, trabalhadores e recém-licenciados. Dos trinta, apenas 3 não tinham background na área de finanças, economia ou gestão… eu era um deles. Se é verdade que existe uma zona de conforto para cada um de nós, era evidente que eu estava a léguas da minha. No entanto, em vez de me conformar, usei esta desvantagem a meu favor.

Apesar de poucos factores jogarem a meu favor, consegui terminar o curso com uma estrondosa média de 18.40 valores. Enganem-se os menos contextualizados, se julgarem o grau de dificuldade do curso com base apenas na minha média final. A realidade é que, as segunda e terceira melhores médias foram de 15.10 e 15.00 valores. A diferença que me separa do segundo é de, em média, 3.30 valores, ou de 66 valores nas 20 disciplinas do curso. Esta singela diferença, seria suficiente para ter aprovação a quase sete disciplinas do curso! Para além disso, apenas 4 alunos (~13.33% da turma inicial) conseguiram concluir o curso na primeira fase, cuja a média geral foi de 12.50 valores. Não querendo parecer presunçoso nem faltar ao respeito aos meus colegas, mas se isto não for motivo de orgulho, o que será?

O resultado que aqui apresento é fruto de um esforço e dedicação constantes ao longo do ano lectivo:

  • Tive que aprender conceitos que alguns dos meus colegas já dominavam.
  • No início, ia para o escritório duas horas antes, para estudar no carro antes de começar a trabalhar. Mais tarde, optei por chegar mais cedo e sair também um pouco mais cedo, de maneira a evitar filas de trânsito.
  • Abdiquei de inúmeras actividades porque tinha que estudar ou fazer trabalhos.
  • Interroguei os professores até à exaustão, porque queria entender todos os detalhes do que estes nos ensinavam. Jamais me esquecerei da resposta a um email que enviei quando estava com dificuldades em chegar ao mesmo resultado que o professor num dos exercícios: “São 34 anos de experiência. Não duvide”. Como seria de esperar, tal resposta ajudou-me a esclarecer qualquer dúvida que houvesse… ou não.
  • Estudei sem parar, durante ambos os voos de ida e volta (22 horas no total) de uma viagem pela Seedrs a São Francisco, Califórnia, assim como em alguns períodos da noite enquanto lá estivemos, visto que iria começar uma nova ronda de exames dois dias após o regresso a Lisboa.
  • Fui a uma revisão de provas com um professor que não queria admitir que tinha um erro no exame. Eventualmente acabei por reaver os 2 valores que me tinham sido anulados e fiz com que outros colegas beneficiassem também disso e conseguissem passar à disciplina.
  • Consegui o primeiro 20 da minha vida numa disciplina do segundo bloco. Voltei a repetir a proeza no terceiro e quarto bloco. Notas: 17 (4x), 18 (7x), 19 (6x), 20 (3x).
  • Passei noites a fio a resolver problemas e casos de estudo, comprando tempo de estudo a troco de preciosas horas de sono.
  • Cheguei ao final do último bloco exausto. Se no início era capaz de estudar com prazer horas a fio, no final já o fazia sem qualquer vontade.

O resultado deste esforço está espelhado na classificação final que obtive e jamais teria sido possível se não tivesse aplicado a mentalidade certa a este desafio. Tirar um segundo curso não é o mesmo que fazê-lo pela primeira vez. À segunda vez existe uma maturidade implícita que faz com que as aulas sejam encaradas de modo mais sério. Para além disso, estava a fazer algo que eu próprio tinha escolhido e investido.

De modo algum teria conseguido tamanho sucesso se não fosse todo o apoio e compreensão dos meus amigos e colegas da Seedrs, mesmo que o facto de frequentar o curso tivesse implicado menor presença em certos momentos. Foi também ao longo deste ano que mais cresci dentro da empresa. A maior responsabilidade apresentou-se como um factor de dificuldade extra, que foi compensado por um enorme sentimento de realização. O tipo de funções que desempenho foi também ele parte da fórmula do meu sucesso, devido a toda atenção e rigor aplicados às tarefas que lá são diariamente realizadas.

Seria injusto não atribuir uma parte considerável do sucesso aos meus amigos, família e namorada. Foram tempos complicados de muita ausência, que espero vir a compensar. O vosso apoio foi fundamental!

Finalmente, apesar de alguns dos contratempos, considero que o balanço desta aventura foi positivo. Se compensou ou não, só o futuro o dirá, mas quero acreditar que sim. O que é certo é que hoje sei muito mais do que há um ano atrás, graças a esta pós-graduação, aos colegas que a partilharam comigo e a muitos dos professores que nos transmitiram os seus conhecimentos. Foi uma experiência única que ficará para sempre marcada na minha memória.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.