Resenha FVM2015

Impossível não ler as primeiras linhas de Cerebrum e não lembrar de Matrix, com sua I.A controlando a humanidade de forma sutil e indo atrás de qualquer um que tenha saído da ilusão de um mundo controlado pelos humanos. Mas aqui a ilusão é um falso livre arbítrio, e não um sonho como o famoso filme que citei,nesse quesito , um ponto a favor do criador desse jogo.

Achei que a inspiração , a experiência e meta de design estão no caminho certo, mas ainda precisam de maior refinamento para alcançar um impacto significativo dentro do jogo. Em especial o desapego, que achei a escolha não tão árdua para ter o devido valor, e a meta de design que achei faltou dar mais cor a narrativa do jogo.

A ideia mecânica da rotina, a princípio, parece ser boa, mas seu desdobramento ao se fazer um teste onde essa rotina é quebrada(chamado pelo autor de ponto de ruptura) é confuso, talvez mal explicado; e o fato de depender do mestre atiçar a curiosidade do jogador pode tornar isso cansativo, ou virar uma armadilha se o jogador resolver ignorar esses detalhes.O que instiga jogar Cerebrum seja essa disputa entre ser dono de si próprio e ser controlado.

O jogo em si está incompleto, faltando habilidades para as escolhas do aprimoramento do personagem. Apesar disso, achei os poderes de algumas classes “heróica” demais para um cenário cyberpunk, se bem que ao ler esse jogo imaginei um cenário mais ao estilo “Eu,robo”, clean e utópico, do que “Bladerunner”, sujo e marginal. O médico cura muito rápido ao meu ver, parecendo mais uma cura mística do que medicina, já o mendigo me pareceu muito mais um informante ou negociador, e sua habilidade genérica demais.

Cerebrum é um jogo promissor, mas talvez seu sistema seja muito ligado ao clássicos rpgs trazidos ao Brasil. Não que se espelhar no clássico seja ruim, mas acho que o cenário tem tudo para um sistema próprio ,que integre melhor a premissa rica do cenário.