Não Me É Estranho #2

09 de Maio, 5 horas da tarde, ônibus a caminho da estação Ana Rosa.

Martha a caminho do curso com seu tubo que serve para carregar seus desenhos.

Martha, desde pequena sempre gostou de desenhar, mas nunca teve muito tempo pra isso, suas condições financeiras não eram assim, muito boas. Infelizmente Martha trabalha desde pequena, mas o destino quis que ela e o desenho se encontrassem. Na verdade não foi só o destino, Martha nunca desistiu de seu sonho, nos intervalos do trabalho ela desenhava sem parar, tudo servia de inspiração: ela ficava observando as pessoas, os quadros, os detalhes das paredes, a paisagem pela janela.

Desenhar nas folhas sulfite no escritório de advocacia que trabalhava como secretária não era lá o modo mais adequado, mas era assim que ela se inspirava, mesmo sabendo que talvez se encrencasse caso alguém descobrisse disso.

Um dia ela esqueceu seus desenhos em sua mesa. Só lembrou quando já estava em casa. Naquele momento ela sabia que quando chegasse no trabalho, talvez não voltaria no dia seguinte.

Foi quando ela descobriu o valor dos seus desenhos. Ela viu o chefe dela que nunca tinha aberto a boca com ela com os olhos brilhando. Sim, o chefe dela era um admirador de arte, e de algum modo via uma qualidade difícil de se encontrar nos dias de hoje nos desenhos de Martha, tinha algo ali que inspirava ele, mexia com seus sentimentos. O mundo precisava ver aquilo, foi o que pensou o chefe de Martha.

Hoje, Martha ainda trabalha no escritório de advocacia. Mas depois do trabalho, ela pega o ônibus até a Ana Rosa com seu tubo de plástico para carregar seus trabalhos do curso de Design a caminho da faculdade (pago pelo seu chefe) hoje, seu chefe que praticamente nem olhava na sua cara, é quase um melhor amigo com quem conversa todo dia sobre obras de arte, o curso de Design, artistas famosos, tem dias que até esquecem que estão no trabalho.

É Martha, parece que a arte te escolheu. E foi correspondida.

Não Me É Estranho é um projeto que tem por objetivo contar histórias sobre as pessoas desconhecidas que vemos no nosso dia-a-dia. Para saber mais sobre o projeto, clique aqui.

Like what you read? Give Pedro Arvati a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.