Uma crônica de coração partido.

Não sei por que vou mexer em cachorro agonizante ou em assunto pessoal aqui, entretanto, acredito que eu precise formalizar um pouco das dores do coração por meio de um texto. Aliás, textos são meus companheiros eternos. Seja para a raiva, seja para a alegria, seja para as ansiedades, seja para as dores do amor etc. Infelizmente, dizem as más línguas que um texto ou a língua, de maneira mais ampla, serve mais para esconder do que mostrar. Verdade seja dita: esta é uma verdade enumerada por aqueles que não gostam de se comunicar ou querem simplesmente ofender as outras pessoas. (Uma lição aprendida com a mulher de um colega, tamanha a maldade no coração daquela pessoa).

Há uma boa dose de pessoas que se ofendem com o que os outros dizem ou ofendem os outros ou, ainda, uma boa dose das duas doses daquele rum forte chamado comunicação humana. Qualquer modo de se relacionar exige psicologicamente de nós. Seja para bem ou para o mal. Mas, estou divagando, tergiversando, enfim, em cima daquilo que não me interessa dizer aqui. Há de se dizer que, infelizmente, as coisas não se ajeitam com o tempo quando não há vontade mútua em fazer acontecer. Agora, me diga Pedro, o que afinal houve?

É simples: se chama relacionamento. Aliás, eu não tinha dito o que ocorreu aqui? Tenho certeza que disse. Estou evitando o assunto para não ficar remoendo as coisas mais do que elas doem. As pessoas dizem que levar um ‘não’ é parte de ser maduro. Para ser sincero eu até acredito que seja. A questão é que pra mim não deu e estava me fazendo mal. Boa parte da outra dose de ‘ser adulto’ — essa coisa misteriosa que todo mundo parece ter uma receitinha fechadinha, mas que nunca é igual para ninguém -; também, infelizmente, envolve aceitar que há situações que machucam e que, por consequência, há situações que fazem sofrer.

Quando se está faz três semanas tentando se construir algo e insistindo, sendo ignorado ou a pessoa sendo grossa contigo bate um desânimo muito grande. Quem dera este tivesse sido o aviso para eu ter desistido de toda a empreita. Não foi afinal. E, acreditem isso foi uma surpresa grande para mim e para aqueles amigos de longa data. A situação começou a ficar ruim há duas semanas quando comecei a ser ignorado. Quando comecei a pensar mais e mais nesta situação. Quanto mais entreguei o coração pior foi ficando para mim. Natural. A situação era complicada, era estranha. Igualmente, ela estava em uma situação ruim e não queria se envolver mais com outras pessoas.

Só achei que poderia ter sido mais justa, poderia ter jogado as cartas na mesa e não saído com desculpas. Só achei que poderia, também, quem sabe, ser considerada com o meu sofrimento e reconhecer a natureza da situação. (Um mínimo ,sabe). Mas, não parecia ser a situação. Amizades são possíveis entre homens e mulheres, não me levem à mal. Eu conheço uma situação de amizade eu mesmo que dura há quinze anos: eu e minha amiga Raquel. Obviamente, tentamos ficar juntos e isso não deu certo. Na verdade, quem queria era eu, mas ainda assim, neste caso (e só neste) estou bem comigo. A razão? Fomos amigos por mais de quinze anos.

O problema e a diferença entre você e ela? Eu conheci você faz três semanas. Ou melhor, tinha te conhecido. Não pretendo mais falar com você. Cheguei falando que não queria mais isso. Você disse para resolver como adultos. Duas vezes. Uma eu tentei fugir sem dizer nada. A outra eu tentei te alertar que você estava mexendo comigo. Nas duas você soltou mecanicamente ou por hábito, vai saber, as seguintes palavras: “Vamos ser amigos”. Tudo bem, eu entendo. Você não quer se envolver, mas custava ter deixado isso claro? Custava ter sido honesta antes do estrago ser feito? Custava falar: você é legal e tudo, mas eu não quero nada. Você disse, mas você colocou um ‘ainda’, você falou em beijo, em abraço. O que mais falamos era sobre amor e decepções. Não se transforma o outro em confidente para largar mão e dizer para se crescer.

Se era para ser amizade porque você me mandou fotos suas? Se era, afinal, para ser algo puramente online porque se importar em me fazer ouvir tanto você e ouvir tanto a mim? A situação toda me fez envolver. Afinal, fui eu que abri essa brecha. Eu agradeço por algo, se teve algo a dar graças nesta situação tão agridoce: o meu crescimento pessoal. Aliás, nunca doeu tanto ouvir casualmente da sua boca “estou me envolvendo com um cara, mas ele quer algo sério”. Dá para compreender que você está ferida, que você queria tanto assim se afastar de relacionamentos, mas não dá pra ouvir um desrespeito tamanho como ‘você é contraditório’. Contraditório, não, querida. MENTIROSO. Hipócrita de ter aguentado essa situação e achar que dava para levar.

Eu admito ter pensado muito, ter quebrado a cabeça, ter sofrido, ter passado noites em claro. Isso tudo sem mesmo ter conhecido a pessoa da qual falo! (Que era você, afinal). Tamanho o envolvimento emocional ao qual eu estava subjugado nesta relação que se deu, exclusivamente pela internet. Dó muito saber de tudo isso. A gente se abre e há os riscos de toda relação. Não foi ruim, mas eu não vou comemorar as conversas ou a intimidade que tivemos, não vou comemorar as confissões e os segredos. Essas coisas a gente ouve dum estranho na rua enquanto fuma um cigarro, quando bebê umas, ou quem, sabe quando usa a internet e acha que o anonimato nos faz grandes amigos, grandes namorados.

Só queria dizer que foi melhor assim. Meu coração estava adoecendo, eu me sentia seu de corpo e alma. Eu me sentia todo seu de mente, alma e corpo. Eu estava, ó, quem diria, como em uma música do meu ídolo (Clarice Falcão) totalmente à mercê de você. Vale até dizer que eu sei dizer quando acabou. Não tenho problemas com isso. Meu cérebro apitou de dor ontem enquanto eu estava sobre meus livros de gramática, meus compêndios de concurso, minhas aulas para serem preparadas e os meus romances excessivamente longos. Ah, quanta desgraça para algo tão banal. Tive de ser sincero, mas serei mais ainda e digo: que bom que você reconheceu minha dor.

Isso, amor, não era falta de amor próprio. Foi a prova de que eu estava vivo.

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