Ambedo

Pousou as mãos nas têmporas… A cabeça parecia que alçaria voo. Uma dor latente, maldita enxaqueca. Respirou profundamente. Sentiu-se sedento… De quê? Parou num café, no mesmo instante que uma chuvinha miúda despencou-se céu abaixo. Percorreu os olhos na janela. Poeiras e gotículas uniam-se. Seria isso a vida? Emaranhados de poeiras que surgiam e a chuva lavava e levava? Riu… Não tirou nota do que pediu, já estava sentado. Um cappuccino com espumas vacilantes estava diante de si. Contemplou cada bolha de ar daquele chantilly. Seria a vida um cappuccino? Um avassalador e furtivo sentimento inclinou-se sobre si. Uma fragilidade quase colossal… Como nunca notou que a vida é tão efêmera que chega a ser ordinária? Tomou tudo num gole e se foi.

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