Esqueci de quem me dava valor agora procuro alguém pra dar valor.
Troquei sim mais que um sorriso por algumas noites. Cometi esse erro inúmeras vezes em um tempo miserável. Nem esperava tanto ibope, nem procurava, tanto menos estava pronto. Mas tenho a consciência limpa de que não pisei em nenhum coração. Agora que já perdoei quem tinha que perdoar, já pedi perdão a quem merecia meu arrependimento - no mínimo - e já resolvi meus conflitos e bloqueios. Não desperdiçarei minha energia sendo quem não sou ou buscando quem me aceite. Não vivo em função do amor nem dependo da minha própria carência. Talvez eu viva um pouco em função do amor, mas de um jeito saudável. Não há jeito saudável, me recordei. Já me respeito mais que antigamente. Olho-me no espelho e tenho orgulho dos meus erros. Meus irmãos - de mães distintas - me procuram, e não é só para pedir ajuda. Muitas vezes para perguntar se estou precisando. Que bom ser respeitado por onde anda. Se alguém sente/sentiu inveja, posso afirmar que é dos meus laços, consequência da minha atitude. Textos, textos e textos, será que isso vai acabar? Só se eu quiser parar de aprender, e de dividir isso com quem quer. Consegui criar sorrisos em todos os lugares, só faltou o meu. Sem problemas. Ele vem sozinho, da mesma forma que veio na hora em que mais precisei. Vem em forma de risada alheia, em forma de simpatia no olhar. Sem pressa. Estou reconquistando amores incondicionais. As pessoas vão embora, em um piscar de olhos. Abraço mais, mais forte, por mais tempo. Confesso que a ociosidade é um veneno, principalmente para quem sabe como dividi-la. Espero que seja pelo menos produtivo. Agradeço agora por todos os limites que tenho por natureza, um dia eles serão a minha melhor cura. Sou um mimado de primeira classe e sei disso. Estou muito mal acostumado a ter tudo que não sei nem o que faria se perdesse qualquer coisa. Sou materialista, ganancioso, egoísta, grosso, preguiçoso, irritado entre mais. Tudo com ênfase. Só não duvide nunca de meu caráter. Já fui dono de lindas mentiras. A minha verdade é feia. Não me posso me dar ao luxo de chorar novamente. A regalia acabou. O mundo não precisa nem gosta de vítimas. Ninguém gosta de vítimas, então não se faça de uma. Não se faça de fraco, nunca. Deixe que ajudem, mas não dependa disso. Aliás, não dependa de nada, de ninguém. Abra uma exceção para o seu sorriso. Já não sei se estou falando de mim. Se não sou do jeito que quero, pelo menos tenho o objetivo de. Retomando ao tópico. Não se deve ter tópico uma vez que as palavras são jogadas no mesmo momento em que lembro as mesmas. Encontrei um pequeno conto/poema/texto em meus arquivos, não me recordo muito bem o que eu sentia quando os escrevi, apenas do momento em que passava.
“Como sacos de músculos ambulantes são geniais.
E as formas esbeltas, porém ocas, caem em si.
No meu pescoço pesa a aliança do que foi um dia.
A minha cabeça trava e meu sorriso torna-se forçado.
E o ciclo da vidinha programada continua.
Lábios se fundem como ações tão simples.
A atitude derrete a imagem.
Versos jogados no céu.
A paixão é enganada pela carência.
Eu digo para mim e não para você.
Eu digo quando quero mas às vezes sem querer.
O jogo da minha confusão em palavras.
O jogo das minhas palavras confusas.
Versos jogados no céu.”
Talvez sejam isso mesmo, versos jogados no céu. Espero que alguém os segure e cuide bem deles, pois pra mim são muito valiosos. Aliás, quero aproveitar a oportunidade para dizer que não há competição. Eu me inspiro em seus versos. Ele se inspira nos meus. É apenas orgulho de meu laço mais próximo. Encontrei mais um texto, mas o cortei para poupar o drama.
“Felicidade é o sentido do amor, admiração é o motivo, esperança é a força, o medo é a cautela, a saudade é a prova. Os sentidos são a forma concreta de te dizer quem é como fala, seu cheiro, como é, e por que ama.”
Não fez tanto sentido assim. Não procuro sentido. Procuro bagunçar o que está organizado. Organizar o que está bagunçado.
Agora posso corrigir minha primeira frase: Esqueci de quem me dava valor, pois só agora lembrei de me dar valor.
Pedro Dias Rocca
28 de agosto de 2012