Lobo Cinzento
Abandonado por meus irmãos
Humilhado e abandonado
Deixado para viver como um bastardo
Procuro um rumo em vão
Meus uivos são engolidos pela infindável noite
E no silêncio enlouquecedor que me habita
Vejo que no mundo serei eternamente eremita
Alvo da impiedosa caçada da morte e sua foice
Dormi sozinho escutando a geada
Sonhando com o fim das coisas e tentando me entender
Sou criatura insaciada
Me vi cada vez mais lobo, devorando meu ser
Uma besta sedenta por amor e compreensão
Esperando pelo indiferente amanhecer
Já que de tanto esperar perdeu a visão
Adoecida prestes a perecer
Corri para longe da humanidade
E encontrei no meu adormecido coração
A dor do vazio devorador da razão
Alimentando meu ódio, minha crescente ferocidade
A guardiã prateada me acolheu como primogênito
Eu fera desalmada
Incapaz de ser amada
Um eterno lobo cinzento!

