dante alcoolizadas em amor, as tragédias que hoje regurgito à tinta nada mais são que o resultado da passagem quase sônica do teu espectro pelo meu existir.
senta-te ao meu lado e escuta.
somos hoje espíritos gêmeos da mais alta estirpe, figurando no panteão dos deuses do cosmos e trajando o que há de mais fino na joalheria do infinito.
sentado à cadeira sinto o cheiro de queimado que parte da combustão de minha alma em cinzas e surto ao compreender que meu intelecto tem limites, por mais doloroso que seja.
lanço-me de asas abertas para o mais quântico dos cinturões galácticos e pouso em mim, sentindo o peso e pressão de minhas escolhas perdidas, pairando em meio ao vácuo.
de que adianta o cupim roer a prataria que um dia compôs a mais alta das qualidade de homens de lata, que pouco pensam e nada sentem?
de que adianta a oxidação da madeira em ferrugem até que esta sirva de alimento para a infecção dos enfermos e acelere seu processo de apodrecimento neste mundo há demais corrompido?
levanta de minha cadeira e saia.
 não há mais espaço para ninguém aqui além de mim, meu turvo reflexo e minhas egoístas sombras. 
tranque a porta e deixe-me asfixiar em soluços de arrependimento antes que sejas contaminada.
retorno uma vez mais, a meu pleno eu.

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