Corações partidos se remendam. É possível sim, viver sem determinada pessoa. Não existe nenhuma lei federal (até agora) que diga o contrário. Eu sei, eu já mergulhei e me afoguei nesse rio diversas vezes então pode apostar, meu chapa, que sobre isso eu sei o que estou falando. Às vezes, a dor é tão forte que parece que você não consegue respirar. Mas, (essa é a parte mais difícil) você precisa lembrar que houve uma época na qual você vivia plena, e tranquilamente sem determinada pessoa. Ela não existia, e não significava nada no seu mundo. E seu mundo não está se esfarelando agora que ela (ou você) partiu. As horas logo se tornam dias. E os dias, se vão em semanas. E então a dor some. As lembranças ficam, é claro. No entanto, às vezes sobram tantos momentos ruins que todas as coisas boas: os sorrisos, as tardes no parque, na cama, acabam sendo encobertas pelo véu negro da raiva, das discussões e das brigas intermináveis e sem sentido – as quais, querendo ou não, você está se lembrando e rindo nesse momento. Agora não dói tanto, não é? Cada pessoa existiu no momento certo da sua vida, e você tinha que aprender e entender que as situações – boas ou más- eram algo necessário. Que o destino, o Karma, o Chi ou Ka-tet, como quiser chamar, não poderia ser diferente. Quem sabe a porra da Terra até parasse de girar se algo não acontecesse como foi. Dessa forma, não há razão pra ter rancor ou guardar qualquer mágoa do passado. Não há mais motivos pra continuar pisando em memórias, abaixar os olhos e seguir em frente. Aliás, a melhor forma de continuar caminhando é conciliando-se com o que você deixou pra trás. Dizer “eu sinto muito” para todos os fragmentos de alma que você quebrou, e viu cair da mesma forma que o vidro estilhaça e os cacos caem no chão. Há feridas que precisam de um novo remendo, enquanto algumas está na hora de tirar os pontos. Foi só recentemente que eu aprendi a diferença entre “gostar” e “amar” e, o que separa uma coisa da outra é bem simples. Quase tanto quanto encaixar as formas geométricas naqueles brinquedinhos de criança. Mas acredite em mim: compreender e pôr em pratica é difícil pra diabo.

Eu também acabei por acreditar que o amor sempre continua. Veja bem, os bebês ainda nem nasceram, as mães não tem ideia de como será o seu formato, cor dos olhos, do cabelo, se vai torcer pro Corinthians ou pro Flamengo, elas não sabem! Mas, Deus, elas amam essa criatura mais que tudo no mundo, e que pode muito bem ser o anti-cristo e causar o apocalipse. E se caso for, a mãe ainda defenderá o filho com unhas e dentes. Quando algum ente querido se vai, continuamos com sua doce lembrança. Às vezes até sentimos o perfume no vento, ou sua voz nos sonhos. O amor vive antes do nascimento e resiste até além da morte. Então, não há como não dizer que morreu todo o calor, todo o sentimento por todas as pessoas que você já amou na vida. Elas viveram uma parte importante da sua história segurando a sua mão, e você não pode simplesmente apagar isso. É difícil aceitar, mas é a verdade. Bom, tudo o que eu aprendi sobre o amor, foi lendo revistas de moda, então pode ter certeza que eu não sei nada sobre isso; pelo amor de Santo Cristo, eu só sei falar de monstros e pesadelos, portanto acredite nas minhas palavras por seu próprio risco e consequência.

Mas, sabe, o que estou tentando dizer, é que há tantas pessoas extraordinárias para serem conhecidas, o que te faz pensar realmente que alguém que você já conhece, é a pessoal com a qual você vai passar o resto da vida? Ora, qual é?! É como achar que você e seu peixinho dourado vão ficar juntos para sempre. Mas, cedo ou tarde ele morre, vai pra privada e na manhã seguinte há o Terry II, Blubby II ou seja lá o que for.

Há pessoas com pontos de vista diferentes dos seus, pessoas que vão te assustar e te surpreender. Há pessoas que nasceram parar compor uma sinfonia e outras parar colocar a cabeça dentro da mandíbula de um jacaré. Algumas gritarão no meio da noite “ESPANE, BABYLUV!!” Enquanto algumas te contarão histórias de fantasmas e fantoches mal-assombrados antes de dormir. Cada indivíduo é um universo magnífico a um passo de ser descoberto, com todas as suas supernovas flamejantes e cometas colidindo. É só olhar nos olhos e ver as estrelas brilhando, e isso é o que eu chamo de magia! Há tantas formas de se viver e de ser feliz (ou ao menos tentar) tantos lugares pra visitar e beijar ( se é que vocês me entendem) que é loucura achar que a pessoa com quem você está agora, nos seus 16, 17 ou dezoito anos, limpará sua bunda e terá seu nome escrito num pedaço gasto de ouro e metal no dedo, num asilo daqui uns 90 anos.

Mas, se caso realmente for essa pessoa, só posso dizer uma coisa: você é sortudo pra caralho, meu velho.

As duas opções são maravilhosas e assustadoras. E como algum sádico decidiu criar as coisas pra que elas fossem imperfeitas, qualquer uma das duas alternativas é dolorosa.

Bem, escolha um pecado com o qual você possa conviver, e uma verdade a qual você não se arrependa todos os dias quando olhar as sombras roxo-acizentada e cansadas debaixo dos seus olhos.

No entanto, não há nenhuma outra forma a não ser tentar. E não é um caminho de pedras, é a porra dum estreito de agulhas enferrujadas. Portanto, vai doer. Vai doer pra caralho.

E eu sei muito bem que, às vezes, a dor é tanta, que parece que não dá mais pra respirar.

Mas enquanto ainda dói, você sabe que está sobrevivendo.

-p.g

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