Eu estava no meio do que parecia ser, a coisa mais brilhante que eu achava que tinha escrito quando ela passou pela porta, batendo as correntes da bolsa nas inúmeras pulseiras brilhantes nos pulsos, e triturando o linóleo com os saltos. Eu estava sentado no meu escritório, com o abajur ligado, as cortinas fechadas. Era apenas eu e a máquina de escrever – é claro que – um computador é muito melhor. No entanto, eu adoro ouvir o som dos meus dedos martelando as teclas e das pinças batendo no papel. Eu ainda acho, que algum dias desses esse som ainda vai me dar um orgasmo.

-Desde quando o médico te deu permissão para beber, Scott? E por que diabos você está fumando, se você mesmo diz que odeia cigarro?

Só faltava meio parágrafo pra descrever como o corpo fora encontrado na vala, todos os detalhes e as imagens estavam diante dos meus olhos, dançavam na minha cara gritando “venha garotão, venha Scott, só mais algumas linhas” e então aquela voz irritante de Princesa Sissi. fez tudo desaparecer; da mesma forma como tequila e vodka juntas destroem as lembranças da noite anterior. Eu não queria olhar, eu não queria erguer os olhos e ver aquelas olheiras roxas, aqueles lábios vermelho-escarlate que normalmente as putas de esquina cobram vintão pra te dar uma chupada. Não queria olhar aquele trigo morto e desfiado no meio de esterco, que algum dia tentou ser uma mecha-loira-sexy-caindo-pelo-olho-direito naquele rosto de fuinha. Eu ergui o olhar e achei que fosse vomitar.

-Não vai me responder?

(Eu bebo se eu quiser, porra. Se eu quiser eu enfio um cigarro no meio do seu cu e trago com a merda do meu nariz)

Eu queria dizer isso, e queria muito.

-Sim, ele me deu permissão- eu disse, mentindo, é claro.

-E o cigarro?

-Bom, eu fiquei com vontade.

-E quando foi que você comprou a carteira?

-Hoje mesmo, antes de chegar em casa. Por quê?

-Eu não consigo te entender – começou ela, erguendo a mão direita e balançando no ar como se fosse a rainha da cocada preta – você diz que não gosta desse troço, mas quando chego em casa depois de trabalhar a merda do dia todo, eu encontro você sentado brincando de escritor fumando e ainda por cima sem nenhum cinzeiro! Porra, você quer acabar comigo?

Nesse ponto ela tinha razão. Aliás, nas duas partes (UHUUULL Temos uma vencedora do bingo! Acertou todas as coisas que a porra do marido quer, ora, cavalheiros, deem um Prêmio a essa mulher!) Eu realmente detesto cigarro. Eu odeio o cheiro que fica grudado em mim e parece que quando eu falo um gás tóxico de piche sai por entre meus dentes. É ainda pior quando você tenta beber algo junto, parece que uma lixa desce pela minha garganta a cada gole de cerveja. Eu não sei porquê faço isso, porém, se eu tenho que ver a porra do Glee cantando os maiores sucessos da minha época, eu tenho total direito de brincar de O Poderoso Chefão na minha própria casa. E também, eu de fato queria acabar com ela. Céus, eu queria levantar e dar um soco naquele nariz empinado. Pegar um copo de whisky e colocar na boca dela e tampar o seu nariz, vendo o copo ficar cada vez mais úmido com as últimas aspirações dela. Ver aqueles olhos castanhos latejarem desesperados, por mim se eles explodissem enquanto eu a sufocasse, seria melhor que os fogos de artifício do Dia da Independência.

Ao invés disso, respondi : Por que você não vai se foder?

Ela parou. A mão que rodopiava no ar também caiu. Os olhos antes mortos agora brilhavam em raiva, ela estava engatilhando, e eu também.

-É isso mesmo o que vou fazer, Scott. Porque você não dá conta do recado. – ela começou a sorrir. Aliás, sabe quem dá? Fred Stimpson. Ele tem a maior rola que eu já vi e eu fodo com ele quando você vai pro bar com seus amigos nas terças-feiras.

Eu sabia que isso havia acontecido uma vez, mas depois que eu arranquei metade dos dentes de Fred com um alicate, e quebrei todos os seus dedos, ele se recusou a tentar comer minha esposa de novo. Eu poderia falar diversas coisas, Julia sabia de quase todas eu acho. Ela sabia que eu era capaz de deixar qualquer uma molhadinha só com as palavras, foi assim que fiz a garçonete do bar me chupar na frente dos meus amigos, ou que fodi a esposa do meu melhor amigo enquanto ele estava tomando banho. Anna, atrás das latas de lixo do supermercado. Lisey, a mulher que trabalhava na bilheteria do cinema(sim, eu disse a Julia que tinha ido ao banheiro) histórias de sexo e depravação eram as únicas coisas que não faltam. Porém, quando consegui pegar a porra do fio-da-meada e escrever minha primeira boa história de terror essa escrota-humana simplesmente fez tudo ir por água abaixo.

Eu me levantei. Derrubei minha cerveja nas folhas e da Underwood 306 e, pra ser sincero, naquele momento eu estava pouco me fodendo se Claire iria ser estuprada e deixada morta na vala entre o cruzamento da Nixon com a Thompsom ou não; meu sangue estava fervendo e eu estava engatilhado.

Eu caminhei até ela, meus punhos estavam cerrados. Ela já sabia o que isso significava; eu a beijei, aliás, eu coloquei meus lábios nos dela e meti minha língua da mesma forma como um porco come lavagem. Então eu a encarei, coloquei minha mão esquerda em seu rosto e comecei a apertar forte, enquanto minha outra mão estava no meio das pernas dela. A vadia já estava molhada, ela sempre ficava excitada com isso. Eu a joguei com força no sofá, puxei sua saia pra cima e comi de quatro. Penetrar nela, era como mergulhar num óleo refinado: eu puxava seus cabelos com força, ouvindo os gemidos abafados saindo daqueles lábios vermelhos (ela sabe que eu adoro essa cor) eu puxei seus braços pra trás e a deixei apenas com o rosto como suporte no sofá. Meti fundo, cheguei perto do seu ouvido direito e gritei – estou dando conta do recado agora, porra? – de alguma forma ela conseguiu se soltar e acertou uma cotovelada no meu queixo. Eu senti meus dentes cravarem na minha língua e o gosto de sangue logo se espalhava pela minha boca. Eu cuspi nas costas dela. Meu estômago se embrulhou novamente, e minha garganta tinha gosto de zinco. Ela tinha me deixado tão puto, que quando me dei conta, minha mão já tinha descido quase tão pesada quanto chumbo na bunda dela.

Ela gozou, eu também. E isso ao menos fazia sentido pra mim : era o ser humano no seu estado natural e animal mais pleno. Dois seres se amando e se odiando ao mesmo tempo; era raiva e choro, amor e compaixão resumidos em gemidos e bimbadas, porra, isso fazia sentido. Nada de conflitos na porra do oriente médio; nada de bombas atômicas; nada de mitocôndrias milagrosas e páginas e páginas de histórias inacabadas que me assombravam nos pesadelos. Aquilo, ao menos, era real. E pude me sentir bem em me odiar.

Entao eu me levantei e acendi um cigarro.

Eu vi a tinta se desmanchando do papel e o cheiro de cerveja já tinha impregnado a máquina de escrever. Estava tudo bem, a maioria das boas histórias terminavam dessa forma: algum filho-da-puta sempre acabava derramando cerveja nela.

Entretanto, tudo o que eu queria naquela hora, era tirar o gosto de esgoto daquela mulher de minha boca.

-p.g

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