Xavante: equipes vencedoras também precisam de mudanças

“O futebol é resultado”, dizem, e não é uma afirmação totalmente equivocada. Na prática, se o treinador não vence, se o atacante não marca gols, se a equipe não se classifica à próxima fase, o trabalho muda. Poucos resistem a essa pressão. E as equipes vencedoras? “Em time que está ganhando não se mexe”, alguém vai apontar, mas as mudanças também ocorrem? No Grêmio Esportivo Brasil, sim e não. Desde maio de 2012 no comando, o atual segundo técnico mais longevo do futebol brasileiro, Rogério Zimmermann, nunca fugiu da alternância pontual de jogadores, porém desafia a si mesmo com a reformulação mais complicada até aqui.

Carlos Insaurriaga/assessoria G.E.Brasil

Elenco campeão da Série A2 de 2013: espinha dorsal que promoveu o crescimento do clube

Os primeiros dias de RZ não foram fáceis: pegou uma equipe sem grande chance de sucesso na Série A2 do RS em 2012. Mesmo assim, em pouco tempo obteve ótima reação. Esta não garantiu o acesso, mas apontou 12 nomes que iriam integrar a equipe do ano seguinte, a qual foi campeã e garantiu o retorno à elite do futebol gaúcho. Jogadores como o goleiro Anderson Corrêa, o polivalente Wender, o zagueiro Cirilo, o volante e capitão Leandro Leite, além do centroavante Gustavo Papa, estavam no clube em 2012 e renovaram contrato para a temporada 2017. Outros nomes, como o goleiro Luiz Muller, o zagueiro Fernando Cardozo e o volante Washington, também passaram a vestir as cores rubro-negras há 4 anos, mas não estarão na Baixada no ano que vem.

De 2013 para cá, foram conquistados um acesso estadual, dois em nível nacional, o bicampeonato do interior gaúcho (2014 e 2015), além de três participações — até então inéditas — na Copa do Brasil. Em 2016, na Série B do Brasileirão, garantiu com tranquilidade a permanência e ainda se deu ao luxo de sonhar com a Série A. Com tantas conquistas em tão pouco tempo, o clube dos Negrinhos da Estação deu um enorme salto de patamar. A estrutura, apesar das mudanças pela qual passa com a construção do estádio ou com as parcerias firmadas para o retorno das categorias de base, ainda não conseguiu avançar na mesma velocidade.

Das arquibancadas, a torcida Xavante acompanha com atenção as mudanças no elenco. Atualmente, há 17 jogadores no grupo — destes, apenas cinco são caras novas — e pelo menos mais sete profissionais devem ser contratados para o início desta temporada. Com uma boa base mantida, o Brasil mais uma vez garante a continuidade de um trabalho de cinco anos. O foco das renovações voltou-se ao sistema defensivo, pois, apesar da 11ª posição na tabela, o time da Baixada sofreu apenas 38 gols, a quinta melhor defesa da Série B.

Carlos Insaurriaga/assessoria G.E. Brasil

O time garantiu o acesso à Série B em pleno Castelão contra mais de 64 mil pessoas

Com atualmente apenas dois meias e dois atacantes, o Xavante trabalha para reforçar o sistema ofensivo. Na Série B, 40 gols foram marcados — 13 deles por Felipe Garcia (vice artilheiro ao lado de Nenê, do Vasco), que se transferiu ao Nagoya Grampus-JAP juntamente com o volante Washington. A grande dificuldade consiste em atrair jogadores com maior potencial técnico e que se encaixem no orçamento do clube. A estratégia habitualmente utilizada de oferecer um valor para o estadual e outro maior para o nacional nem sempre é aceita pelos jogadores e empresários.

Apesar das limitações estruturais e financeiras, o Brasil garante a continuidade de um trabalho e ao mesmo tempo promove mudanças — as necessárias para atingir os objetivos que ficam proporcionalmente maiores a cada ano. Talvez seja justamente este o preço do sucesso: mexer em time que está ganhando, modificar uma equipe vencedora.

Os novos contratados

Oficialmente, o Xavante contratou apenas cinco jogadores: o lateral direito Éder Sciola, 31 anos, ex-Sampaio Corrêa-MA; o lateral esquerdo Tiago Silva, 29 anos, ex-São José/RS; os meias Lenilson, 34 anos, ex-Moto Club-MA, e Aloísio, 31 anos, ex-Vila Nova-GO; e o atacante Jean Silva, 27 anos, ex-Anápolis-GO.


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