Brasil 2–0 Paraná: foi com gosto de povo e alma de estádio Bento Freitas

Os 9.414 rubro-negros presentes na Baixada na última terça-feira, 7, puderam acompanhar uma grande vitória Xavante contra um dos postulantes a uma das vagas à elite do futebol brasileiro. Mais do que ganhar fôlego na tabela de classificação, a presença massiva da torcida Xavante fez o próprio estádio Bento Freitas respirar, como há muito tempo não se via.

Italo Santos

Paixão Xavante à flor da pele

Os ingressos promocionais e populares a R$ 10 possibilitaram o retorno de muitos Xavantes para casa. O resultado não poderia ser outro senão uma grande vitória. Como muito bem destacou a assessoria de imprensa do clube, é uma “equação fatal” a mescla torcida e time, que torna o Grêmio Esportivo Brasil o que de fato ele é. O Xavante inexiste sem a sua torcida. Sem a sua gente, o Bento Freitas torna-se em um templo sem fé.

Com as arquibancadas cheias e barulhentas a partida é muito diferente; ganha contornos de batalha, que extrapolam o limite de onze jogadores em campo, fazendo-os avançar “com todo esquadrão” ao ritmo de tambores e dos gritos de rubro-negroô! que ecoam por todo o estádio. São milhares de índios em polvorosa em torno do gramado que se aquece como um verdadeiro caldeirão, no qual estão mergulhados os indefesos adversários. Quando os índios se pintam para a guerra não há quem os segure.

Os gols do Brasil evidenciaram tal mística. A forma como Marcinho passou por meio time do Paraná durante a construção do primeiro gol remete a um verdadeiro empurrão coletivo. Em velocidade, Marcinho e bola foram “arremessados” à grande área sem nenhuma obstrução capaz de pará-los, até encontrarem Rafinha que completou para o fundo da rede.

No segundo gol, o goleiro Richard até tentou espalmar a bola, mas Lincom não a cabeceou sozinho. O estádio inteiro, em chamas, testou a redonda que voltou a sobrar para o felizardo Rafinha marcar o tento da vitória. Na comemoração, a flechada de Claudio Milar foi rememorada para cravar de vez o retorno da Baixada às suas origens.

Foi um grande triunfo, que pode ter sido fundamental para a permanência na segunda divisão nacional. Foi uma vitória em tons vermelhos e negros, com gosto de povo e alma de Bento Freitas, para todo o país ver — afinal, tem que olhar para aprender…


Originally published at espnfc.espn.com.br.