Eu estou sozinho
São quase uma hora da manhã de uma sexta-feira qualquer. As redes sociais são invadidas por mensagens de sextou. Eu, em casa, estou sozinho.
Não funciona a luz da geladeira, mas há cerveja gelada. Ou seja: o eletrodoméstico em questão cumpre com valoroso êxito o seu papel.
Os meus fones reproduzem músicas de diferentes décadas, que possuem letras ainda atuais, que não morreram com o passar do tempo.
Eu estou sozinho. Há, além da falta de motivação de sair e esbanjar sorrisos e conversas fáceis, o meu próprio argumento de que nem sempre é ruim.
A grande questão é até quando?
Ora, veja bem: a sensação de estar sozinho pode surgir mesmo acompanhado. Escrevo sobre solidão, seja em casa ou em estádios de futebol.
A grande ironia é que muitos estão exatamente assim e, portanto, estamos todos juntos de alguma forma, apesar da distância e de não soubermos quem é quem.
Eu estou sozinho, mas tenho a mim. Parece pouco, e provavelmente é, mas é tudo o que restou, é tudo o que tenho.
