Coberturas alternativas de um grande evento
Pelos jogos serem disputados aqui, ou também pelo crescente interesse pelo esporte em nosso país, fato é que nunca antes a imprensa brasileira havia feito uma cobertura tão intensa de uma edição dos Jogos Olímpicos. Na televisão, só o SporTV disponibilizou dezesseis canais transmitindo conteúdo relacionado à Olimpíada por 24h durante os dezessete dias de competição. Jornais e rádios de todo o país dedicaram total atenção às disputas diárias, à rotina dos atletas, e às reações do público no parque olímpico.


Dentro deste contexto, é óbvio que a grande mídia teve preferência e, de certa forma, “engoliu” os demais meios de comunicação que tentaram cobrir a Olimpíada. Mesmo assim, muitos deles enviaram seus correspondentes e, da maneira que fosse possível, também aproveitaram o clima de festa e competição no Brasil como pauta em seus noticiários. Dono de um dos maiores blogs de basquete do país, o Bala na Cesta, o jornalista Fábio Baldassiano chegou a se explicar em seu perfil no Facebook avisando aos seguidores que, por estar fora da grande mídia, não faria a cobertura ideal e que seu público esperava. “Obviamente gostaria de estar trazendo do bom, do melhor e do mais próximo possível do evento pra vocês. Não vai rolar. O que vai rolar mesmo é a melhor cobertura do bala na cesta na medida do (meu) possível. E meu possível é o possível para um cara que trabalha 10h/dia e que chega em casa pra blogar ainda por cima”.
De qualquer forma, os jogos se tornaram uma oportunidade gigantesca para quem quer aprender como funcionam as coberturas de grandes eventos. Estudante de jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina, Fernando do Espírito Santo esteve no Rio de Janeiro cobrindo os jogos de fora dos complexos esportivos para o TJ UFSC, e conta como a experiência e o contato com profissionais da imprensa o ajudaram para a carreira no futuro. “A experiência de estar lá já foi válida. Vivenciar o clima dos jogos, a cidade do Rio, e ver as mudanças que a cidade sede sofre em um evento desses. Entender como isso se deu estando lá é o que contribuiu para mim profissionalmente”.
Fernando também trabalhou como colunista para o jornal Forquilhinha, administrado por Claci Becker. Claci entende que não adianta tentar bater de frente com a grande mídia em situações como esta, e sim tentar dar um viés diferente ao conteúdo transmitido aos seus leitores. “Toda vez que a gente mostra uma notícia nacional, a gente tenta mostrar de um lado menos óbvio, o que eu posso aprender sobre aquele evento, não só o que passa na grande mídia. Já está disponível, não adianta eu publicar a mesma coisa. Como nosso jornal tem mais o intuito de formador de opinião, é de caráter não só informativo mas também educativo, a gente tenta buscar um conhecimento um pouco mais aprofundado para passar para os leitores”. O próprio Fernando também concorda com essa ideia. “No caso da cobertura do TJ UFSC, não mostramos nada de jogos e ídolos esportivos. Focamos na cidade e nas transformações que ela sofreu. Nosso produto complementava o que as outras mídias já estavam fazendo”.

Fernando, contudo, relata que a dificuldade para cobrir a Olimpíada desta forma não foi nada pouca. “Fomos com poucos recursos. Apenas material pequeno, celulares, câmeras de mão. Cobrir com material reduzido foi a pior parte. Mas deu para ter uma noção caso no futuro, além de fazer texto, editar e entrevistar, ainda tivermos que fazer passagem selfie e todo o resto sozinhos”.