E qual é o real sentido da democracia brasileira?


Golpe após golpe, será que é possível afirmarmos que existe uma real democracia em curso nas terras tupiniquins? Essa é uma pergunta que cabe em diversas análises que não pretendo me alongar aqui no texto, mas as vertentes são múltiplas, partem desde a análise das obras de alguns Cientistas Políticos que traçaram algumas normas mínimas para a caracterização de uma democracia ou até mesmo um contexto ligado diretamente com o sentimento de participação ou não que o povo possui no cenário político nacional.

A pergunta principal que fica é: Qual o real sentido da democracia brasileira? Bom, se tem uma coisa que é certa é que ela não foi criada para atender as necessidades do povo, ou ainda, é feita para perpetuar a lógica de supressão de uma classe perante à outra. A que oprime, de características já claras para todos e tendo como linha de frente as federações da indústria e do comércio, a manipulação e monopólio da grande mídia e, como não poderia deixar de faltar, um substancial apoio dos grandes detentores de terras e meios de produção. Em contra ponto, a classe oprimida é a que realmente faz o sistema funcionar, é a que se amontoa nos transportes públicos e que não possuem muito do que esperar de um governo golpista como o vigente

O perfil da classe opressora, se analisado de forma mais aprofundada revela uma diferenciação não apenas econômica, mas também territorial. Boa parte desse tal “setor produtivo” se localiza nas grandes metrópoles do Sudeste do país, e quando descentralizados, tendem a apresentar uma característica ainda mais opressora e autoritária, como é o caso da, famosa por sua violência, burguesia alagoana.

Do que serve então o voto bienal? Estamos reduzidos ao direito de escolher aqueles que irão trabalhar para esse sistema que mantém um sobre o outro? Qual é a real participação popular em um processo eleitoral que é baseado no marketing direto dos candidatos, visando a manipulação da opinião pública e não a plena transmissão de projetos políticos?

Dos questionamentos mais possíveis numa análise, os que mais nos deixam em uma situação de falta de esperança são os apresentados no parágrafo passado. O Brasil possui, hoje e desde o processo de redemocratização, um partido que domina o cenário político e que, sem precisar lançar nenhum candidato na corrida eleitoral pelo executivo nacional, já assumiu o poder por três vezes, claro que falamos do PMDB.

Na mais recente, trabalhou incansavelmente na derrubada do governo com o qual fez coligação e, logo após o golpe e ascensão de Temer ao poder, lançou uma empreitada devassadora contra os direitos dos trabalhadores. Esses, que por sua vez, novamente mostram sua passividade e desinteresse quanto à participação política, não reagem, quando o fazem não conseguem a força suficiente para afrontar a estabilidade, não do presidente, mas do corpo do PMDB que, por sinal, possui como filiado o próximo político na linha sucessória, e além disso, o povo não consegue um combate com os setores que hoje dominam o cenário político brasileiro.

Uma coisa é muito clara, estamos em uma luta extremamente desigual contra o sistema, mas que pode ser resolvida de maneira simples e direta, mas para isso é preciso que o setor mais historicamente ligado à luta dos trabalhadores quebre com os seus laços de participação na burocrática democracia burguesa e emerja em um cenário onde a luta está ao lado do povo e não só nas urnas.

Fica claro que a unificação da esquerda brasileira é a forma mais eficiente de se fazer frente à essa empreitada burguesa contra os direitos historicamente adquiridos pela luta dos trabalhadores. As contrarreformas estão sendo aprovadas seguidamente e o corpo de deputados que fazem linha de frente na oposição não conseguem barrar o avanço da avalanche conservadora que vem tomando conta do país após o golpe.

Já surgem em todos os locais alguns movimentos mais extremistas que pedem a perseguição escancarada dos militantes e como bem dizia Bertolt Brecht: A cadela do fascismo está sempre no cio. E realmente está! Seria muito purista encarar o avanço no conservadorismo no mundo como mais uma onda liberal, é preciso ver dentro das entrelinhas, analisar a penumbra densa que o extremismo da direita já começa a trazer para o cotidiano das pessoas, não podemos deixar com que mais golpes aconteçam e isso só é possível com a força da organização popular.

É trabalho de cada militante buscar esclarecer a população quanto aos perigos do avanço da direita e que, em nenhum momento, as reformas aprovadas e celebradas pelo tal “setor produtivo” podem servir para o interesse da classe trabalhadora. O mito da participação do povo na democracia não pode validar o fim dos direitos trabalhistas e nem muito menos garantir a legalidade do governo golpista de Michel Temer.

A cada dia a luta vai ficando favorável para a vitória deles e o tempo, nesse caso, não é amigo do povo. Uma frente única, popular e de esquerda precisa surgir no meio desses ataques, o povo precisa assumir o papel de protagonista e partir para os espaços políticos buscando avançar contra essa empreitada conservadora, garantir de volta os seus direitos e, de forma unificada, garantir sua participação nas decisões do país.

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