
O Papel da Polícia no Aumento dos Números de Homicídios
Vamo trocar mais uma ideia sobre segurança pública e postar um textão pra falar sobre isso? Vamo sim, mas assim, eu queria falar hoje era sobre a Polícia Militar. Não quero que seja mal interpretado o texto e a crítica vão ser tecidos sobre todo o organograma do atual modelo de segurança pública e também focar nos policiais corruptos que ainda estão dentro da lógica militarizada de segurança pública que vigente no Brasil.
A grosso modo: O que me motivou a escrever aqui é que ao abrir o jornal de hoje eu dou de cara com 3 notícias:
1 — Mais uma chacina em SP com todos os trejeitos de extermínio que são uma grife da polícia militar paulista.
2 — Um dos tiros que mataram a menina Eduarda dentro da escola partiu de um PM ~ nossa que surpresa ~.
3 — STF proíbe as greves em todas as carreiras policias.
Vamos ponto a ponto. A polícia militar do Estado de São Paulo é uma facção criminosa — aqui me desculpo com os polícias honestos, mas falo sobre a instituição e seus comandantes -. Não vou entrar no ponto da PM ter que acabar, isso já tá saturado em todos os textos que faço aqui, mas vamos analisar profundamente a PM-SP. Em 2006 promoveu uma guerra urbana justificando que o PCC tinha ordenado uma série de ataques que até hoje são muito mal explicados. Foram assassinados aproximadamente 400 pessoas em 1 semana de guerra na capital paulista. O esteriótipo é bem claro: Jovens entre 16 e 24 anos, negros, desempregados e residentes da periferia — além da baixa escolaridade -.
É possível acreditar que existe alguma benfeitoria na atitude brutal que é guiada a segurança pública da maior cidade do país? Ou ainda, é possível detectar algum sinal de eficiência nessa lógica de extermínio que a polícia militar de São Paulo emprega? Todas essas chacinas, essas supostas mortes após autos resistência me fazem lembrar da famigerada Gangue Fardada que atuou aqui em Alagoas na década de 90. Para os companheiros que não sabem, essa gangue era um grupo de extermínio gerenciado pelo alto escalão da polícia militar de Alagoas e além disso, era composta por policiais que foram colocados sem concurso público ou qualquer tipo de avaliação — o famoso favor — e que em sua maioria eram jagunços dos coronéis o interior.
Já sobre a segunda notícia, alguém imaginava algo diferente? Em sã consciência, algum ser humano que minimamente esteja interessado na verdade conseguia conceber que a menina Eduarda foi assassinada dentro de sua escola por uma “bala perdida”? De verdade, companheiros, se fosse para a gente elencar a polícia mais covarde do Brasil, eu ficaria em uma dúvida tremenda entre quais estados iria sugerir, mas sem dúvidas, RJ e SP seriam candidatos fortíssimos.
Os estados citados acima são controlados pelo tráfico organizado, as famosas facções criminosas, mas não vou me alongar nisso porque já rolou um post aqui sobre isso. Mas a lógica é simples:
- O país possui uma lógica proibicionista que garante o lucro das facções.
- O mercado ilícito só tende a crescer e os dados mostram que isso ainda vai durar muito tempo.
- A polícia despreparada e o combate às drogas é herdado de uma lógica militarizada trazida pelo governo estadunidense na década de 70.
- As milícias entraram no mercado do crime carioca e se instalaram de forma que não pretendem sair — alto escalão da PM metido em tráfico de novo -.
Qual seria a resultante possível dessa combinação a não ser uma cidade extremamente violenta, uma guerra urbana e a expansão do tráfico? E quando estou falando sobre uma cidade violenta e uma guerra urbana, o local onde vai rolar essa troca de tiro é muito claro: A periferia. Você não vai ver caveirão adentrando os apês dos verdadeiros reis do tráfico na zona sul, ou ainda, trazendo pra Maceió, não vai ter baculejo na porta dos condomínios de luxo da cidade.
Nessa guerra urbana quem morre é preto, pobre e da periferia, o filtro da PM já identifica essa possível vitima de seu despreparo quase que imediatamente.
Agora já indo para a terceira notícia: O Alexandre de Moraes tá fazendo o que sentado naquela cadeira do STF? Pelo amor de meus filhinhos — como diria o grande Silvio Luiz — esse cara é um capanga claro do governo golpista que tá ali com uma ideia muito evidente, a supressão dos direitos das minorias e a garantia da estabilidade do governo Temer. Da mesma forma que Marx trata o Estado como a garantia de subordinação de uma classe a outra, tratarei aqui o Alexandre de Moraes como a garantia que o STF vai ter dedo do governo ilegitimo de Temer.
A greve, um dos direitos mais básicos dos trabalhadores, é negada aos policias de todas as carreiras. Simplesmente, por uma questão de subimissão hierárquica e de obediência à ordem da instituição, os policiais que são constatemente submetidos à situações de risco desproporcionais ao seu preparo e ao seu equipamento, não podem simplesmente fazer uma greve para garantir tais direitos.
Aqui a gente deve começar a falar sobre a desmilitarizão da PM e a busca de uma nova estratégia de segurança pública.
Já tá claro que política proibicionista não funciona em canto nenhum do mundo e muito menos que a polícia militarizada é uma resolução para os problemas da segurança pública no Brasil. Os pontos levantados acima já dão conta de apresentar que essa história de que uma guerra contra o tráfico deve ser tomada aos moldes de uma guerra urbana.
É preciso sim quebrar com a hierarquia militar, garantir a união entre PM E PC, permitir com que os policiais se organizem em movimentos grevistas e, de uma vez por todas, apresentar que a violência urbana é muito mais do que dar baculejo no Preto da Periferia que tá indo dar rolê na Beira da Praia de Ponta Verde no final de semana.
Não dá pra permitir que PM’s continuem assassinando jovens da maneira que vem sendo feita, não é possível também acreditar que todas as mortes por balas que saem do gatilho da PM é feita porque o “bandido” reagiu. A Segurança Pública no Brasil precisa ser repensada, mas ações imediatas precisam ser tomadas, não dá pra cair na fábula da direita de que bala e repressão resolve tudo.
O fim da PM tem que ser imediato, é necessário um modelo eficiente de segurança pública, adaptada para cada realidade, para cada local. Os dados do crime precisam ser apurados e de uma vez por todas é necessário ver que nem todo homicídio tem a ver com o tráfico. O entendimento dessas motivações é um passo primordial para o entendimento da coisa.
Não adianta querer resolver o problema da segurança e manter o delegado colocando que todo homicídio na periferia é motivado pelo tráfico ou uso de drogas. Muito menos não acreditar que existem feminicídios. Existem sim e eles são mais frequentes do que o Estado quer adimitir. Mas principalmente, não é possível pensar em segurança pública sem adoção de uma nova lógica de polícia e uma nova política de drogas.
Pela FIM da PM.
Pela Legalização da Maconha.
Por uma nova política de drogas.
