Pare de sabotar sua vida: aprenda a lidar com a Síndrome do Impostor

por Amanda Lima

Olá, olá! Tudo beleza?

Hoje vamos falar sobre um problema vivenciado por aquelas pessoas que sonham e buscam grandes realizações, mas por muitas vezes — intimamente — se sentem pequenas demais para alcançá-las.

Para entender um pouco melhor o que estou querendo dizer, reflita comigo:

Você sente uma pressão enorme quando outras pessoas afirmam acreditar muito no seu potencial, te elogiam na frente de outras e te entregam uma tarefa superimportante confiando que você fará com sucesso? Pressionado a ponto de querer desistir de realizar tal coisa?

Quando te perguntam sobre suas habilidades e experiências, há coisas que você não fala que sabe fazer (mesmo você sabendo muito bem) por pura insegurança, medo de não conseguir atingir as expectativas dos outros e decepcionar alguém ou a si mesmo?

Você já deixou de participar de alguma prova, seleção ou competição, e simplesmente achou que não era capaz de concorrer com outras pessoas porque, mesmo você sendo ótimo no que deveria fazer, se sentiu bastante incapaz e não foi?

Se você respondeu “sim” para as perguntas acima, saiba que não está sozinho nesse barco. Centenas de mulheres e homens, jovens e não tão jovens assim, com muita experiência ou não, passam pelos mesmos medos que você em relação a essas mesmas coisas — e até em situações bem piores. Saiba também que esses medos e sensações ruins que te fazem travar ou não se achar tão bom quanto realmente é podem caracterizar algo chamado de Síndrome do Impostor.


O QUE É A SÍNDROME DO IMPOSTOR?

Primeiro é importantíssimo destacar que a Síndrome do Impostor não é uma patologia, então se você se identificou com as questões acima, não se preocupe, você NÃO é uma pessoa doente.

Essa nomenclatura “síndrome” que os psicólogos e demais profissionais utilizam nesse caso, caracteriza o conjunto de sentimentos de fraude/farsa ou medo de alcançar coisas que uma pessoa tem em relação aos seus próprios méritos e conquistas, suas habilidades e experiências. Se você leu a frase do Leonardo da Vinci no topo desse texto pode ter uma noção do que quero dizer. Imagine um dos maiores artistas que o mundo já viu dizer que seu trabalho não atingiu a qualidade que deveria e isso pra ele é uma ofensa a Deus.

Esse fenômeno comportamental é algo maior que a simples modéstia ou timidez.

O início dos estudos sobre a também chamada Impostor Phenomenon (Fenômeno do Impostor) aconteceu na década de 70 e a primeira pesquisa publicada sobre esse assunto é, mais especificamente, do ano de 1978. A síndrome foi estudada e posteriormente apresentada com o nome que carrega hoje pela psicóloga americana Pauline Rose Clance, especialista conceituada nesta área.


POR QUE A SÍNDROME DO IMPOSTOR ACONTECE?

Em algumas declarações sobre o estilo de vida atual e suas consequências, Pauline afirma que há dois fatores agravantes para o aumento do número de pessoas com “sintomas” de um impostor em potencial.

  1. Busca constante pelo sucesso

As pessoas estão cada vez mais focadas em alcançar um patamar social mais alto, principalmente na vida profissional. Os padrões que elas se propõem a atingir as vezes são tão altos que fazem com que elas sejam extremamente exigentes consigo mesmas, não se permitindo o aprendizado que vem com o “errar”; muitas vezes há uma certa influência em relação a isso advinda dos próprios pais dessas pessoas, os quais, na justificativa de querer o melhor para seus filhos, acabam sobrecarregando-os de expectativas e objetivos baseados em suas percepções de felicidade.

2. Observação extrema da vida do outro

O segundo fator tem a ver com as interações nas redes sociais, a facilidade da observação da vida e rotina das outras pessoas, o que elas fazem em suas casas, em seus trabalhos, em seus momentos de lazer. Essas interações refletem em muitas pessoas pensamentos do tipo “ah… a vida de tal pessoa é perfeita, ela tem muito mérito no que faz. Já eu não tenho um trabalho tão perfeito, uma casa tão perfeita, não estudo em um lugar tão bom, é melhor não mostrar o que eu sou, não tenho tantas coisas boas assim a serem apresentadas” ou até “fulano tem mais curtidas do que eu, mais seguidores do que eu, então o que ele faz é melhor do que as coisas que eu faço”.


Toda a comparação que costumamos fazer da nossa realidade com a realidade das outras pessoas, na verdade faz com que percamos a noção de pesos e medidas com nós mesmos.

Por exemplo, qual é o tipo de pessoa com a qual você geralmente se compara? Na maior parte do tempo nos comparamos com pessoas que têm uma vida totalmente diferente da nossa, muitas delas tiveram muito mais oportunidades que nós, mais dinheiro que nós, mais suporte que nós, entre outras coisas… dificilmente alguém se compara com quem está em seu nível, que teve o mesmo tipo de criação, família, condições financeiras, enfim. Nós temos mania de superestimar os outros e subestimar o que somos, sabemos ser autocríticos cruéis.

Quando nos preocupamos muito em olhar o que o outro consegue a mais que nós, sem atentarmos para o contexto geral que fez com que ele tenha atingido determinada posição, acabamos entrando em um ciclo de desrespeito para com as nossas próprias conquistas, esquecemos de valorizar quem somos, paramos de enxergar as habilidades únicas e especiais que temos.

“Para quem está nos estágios iniciais de carreira, a síndrome aparece de forma mais sutil. Pequenas atitudes, como negar um elogio, manter distância dos colegas ou ser generoso demais, indicam possíveis sintomas. Quando o indivíduo escolhe seguir uma profissão, espera-se que ele trace o caminho que pretende seguir para chegar àquilo que considera o topo — o que, na maioria das vezes, é uma missão quase impossível. Frustrado por se sentir incapaz de tornar-se a figura que sempre sonhou, o profissional deixa de celebrar os obstáculos que, por mérito, foi capaz de superar. É comum pensar que nada do que fez foi realmente especial” — Você S/A, 2014.


QUEM SÃO AS PRINCIPAIS VÍTIMAS?

Todas as pessoas que já experimentaram ou vivenciam diariamente algum tipo de sucesso, seja no trabalho, na escola, em casa, nas mídias sociais e afins, podem estar vulneráveis a serem vítimas desses comportamentos característicos de quem possui a Síndrome do Impostor.

Não há idade, gênero ou classe social que defina as pessoas atingidas pelos pensamentos de insegurança ou farsa sobre a própria vida.

Há casos de crianças que sempre são ótimas alunas na escola, que tiram notas excelentes nos testes, sempre são destaque em questões de educação, mas em contrapartida são extremamente introvertidas porque têm medo de tentar fazer amigos e eles não as acharem tão legais quanto os professores e os pais orgulhosos acham.

Outras vezes, podemos encontrar jovens adultos que conseguem algum cargo muito bom em uma empresa, por causa de seu próprio currículo e qualificações, mas acreditam ter alcançado tal estágio somente por indicação de outras pessoas ou porque é parente de fulano, amigo de beltrano, etc.

Mesmo não havendo um seguimento exato de pessoas propícias a terem a síndrome, a maioria das que são acometidas por ela são mulheres que estão inseridas em algum ambiente corporativo, o que não exclui o também grande número de homens que carregam o peso de seus medos e inseguranças.

“A cultura que oprime e caracteriza as mulheres como inferiores em ambientes de trabalho gera consequências que muitas vezes atuam no inconsciente das mesmas, tais como o fenômeno da “síndrome do impostor”, que tem atingido a grande maioria de profissionais bem sucedidos e tendo alta frequência no sexo feminino, contemplando inclusive grandes figuras, como Emma Watson — que muito tem feito pelos movimentos de maior igualdade para as mulheres” — Por que precisamos falar de mulheres em tecnologia, DEEP (Design for Entrepreneurial Ecosystems Plataform)


O QUE FAZER PARA MUDAR?

As vezes não é fácil transmutar algo que está conosco há muito tempo, como hábitos, crenças, pensamentos e coisas assim. Todas essas coisas levam anos para serem construídas e adaptadas em nossa vida. Da mesma forma como nos acostumamos com as coisas boas, há uma tendência a nos conformarmos com o que não é tão bom assim.

É difícil mudar? Sim. É impossível? Não.

Pensando em minhas próprias experiências e conselhos já recebidos por pessoas em quem confio, separei algumas dicas que poderão te ajudar a se livrar dos pensamentos limitantes que a Síndrome do Impostor traz para você:

1. Para cada pensamento negativo sobre si mesmo, pontue uma coisa que você fez de boa

Finalizar uma sentença com palavras positivas geralmente traz retornos positivos para o cérebro humano (a psicologia explica). Seguindo a mesma lógica, finalizar uma sequência de pensamentos negativos sobre algo que você acredita ter feito errado com um pensamento bom sobre uma ação sua que deu certo faz com que seu cérebro ressalte o que você pensou por último, criando assim uma espécie de bônus para você mesmo. Se você é dos que se perde nos pensamentos, ande com um caderninho e anote suas pequenas vitórias todos os dias. Vá lembrando do que você fez de bom desde quando era criança até hoje e escreva. Isso serve para você se lembrar de como se sentiu.

2. Busque a opinião de pessoas em quem você confia

Muitas vezes ouvimos algo a nosso respeito e tomamos essa coisa como uma crítica negativa, porque tendemos a acreditar que as pessoas estão nos julgando de modo ruim ou apontando alguma falha que cometemos. Buscar uma segunda opinião sobre o que ouvimos (ou sobre o que achamos que ouvimos) é importantíssimo. Só tome cuidado e realmente pense se essa pessoa a quem você vai pedir opinião será realmente imparcial na questão e não irá querer somente te agradar com a resposta. Converse com alguém que você considera um mentor ou um daqueles amigos que te apoiam mas são sinceros ainda assim.

3. Trace metas e objetivos (alcançáveis)

Quem consegue estipular metas e objetivos para si mesmo, sabe exatamente o que conseguir e como conseguir, sabe o que será exigido do seu corpo físico e mental. O ponto principal dessa dica é: saber onde e como você quer chegar faz com que você aprenda a medir os seus ganhos na jornada, seja ela qual for, não dando espaço para pensamentos do tipo “eu poderia ter feito algo melhor”. Não. Você fez aquilo que se propôs a fazer e isso é memorável. Aproveite para anotar no caderninho das vitórias.

4. Aprenda a agradecer elogios ao invés de rejeitá-los

Para quem tem a tendência de ser um impostor, de acordo com o que vimos até agora, é bem complicado aceitar elogios, até porque eles sempre são vistos como palavras que não são merecidas ou então são recebidos com um ar de desconfiança (será que essa pessoa está sendo sincera mesmo ou está só sendo educada?). “Ah, eu não fiz mais que minha obrigação”, “Imagina, há milhares de pessoas no mundo que fazem isso melhor que eu” ou “Não precisa agradecer, eu não fiz nada de mais”, essas e mais algumas tantas são frases típicas de quem NÃO sabe receber elogios. Comece dizendo “Obrigado, fico feliz que tenha gostado” ou até mesmo “Espero melhorar ainda mais, mas agradeço a gentileza”. Pode ter certeza que não mata e não tem contraindicações.

5. Cuide-se

Quem se cuida, se ama. Quem se ama, é capaz de doar amor. Quem doa amor, recebe amor. Esse é o ciclo universal da cura para qualquer mal, então use sem moderação. Cuide do seu corpo porque você não tem outro lugar para “morar”. Cuide da sua mente porque ela é o seu guia.


A Síndrome do Impostor faz com que traduzamos a nossa vida com uma visão um tanto errada da realidade, faz com que criemos uma redoma para cobrir nossas melhores qualidades por medo de que elas não sejam suficientemente boas para outras pessoas. Entretanto, tudo isso pode ser resolvido se contarmos com ajuda, primeiro de nós mesmos e segundo de quem se preocupa com nosso bem-estar.


Se você se identificou com o tema abordado ou conhece alguém que poderá se identificar, compartilhe esse artigo. Sua atitude pode atingir quem esteja precisando de ajuda e nem saiba direito como pedir.

O Prepara e Encaminha é um ponto de apoio com o qual você pode contar. Para saber mais detalhes sobre esse e vários outros temas que estão por vir, não deixe de nos seguir nas redes sociais (@pe.arapiraca) e acompanhar nosso blog.

Um grande abraço e até logo, meus queridos!

Blog Prepara & Encaminha

Written by

Blog de conteúdos do Projeto Prepara & Encaminha, da Unidade Microcamp — Arapiraca/AL.

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