Carta ao excelentíssimo senhor doutor presidento Michel Temer

Caro excelentíssimo senhor doutor presidento Michel Temer,

Ocorre que, nas últimas semanas, temos notado um comportamento inadequado de Michelzinho na sala de aula. Ocorre que, vossa excelência, Michelzinho tem se mostrado arredio para com os coleguinhas de classe a quem vosso filho sempre foi muito próximo, caro presidento.

Caro excelentíssimo senhor doutor presidento Michel Temer, entenda que nós, do comitê do bom senso infantil do colégio, somos profundamente cientes das atribuições que o senhor possui no ofício de presidento. Porém a situação tornou-se insustentável, presidento, desde que Michelzinho passou a responder e dizer nomes feios para nossa representante de sala democraticamente eleita pelos coleguinhas, e a quem Michelzinho sempre demonstrou muito carinho.

Caro excelentíssimo senhor doutor presidento Michel Temer, nós, do comitê do bom senso infantil do colégio, nos indagamos, pois, se tem ocorrido algo diferente no ambiente familiar de Michelzinho, vosso filho. Entenda, presidento, que a educação de um crianço como Michelzinho é muito baseada no exemplo que Michelzinho encontra em casa, em vossa casa, senhor doutor presidento.

Ocorre que, caro excelentíssimo senhor doutor presidento Michel Temer, nas últimas semanas o garoto Michelzinho tem se negado a frequentar as aulas de história. O que preocupa muito a nós, do comitê do bom senso infantil do colégio — e acredito que ao senhor doutor também, excelentíssimo — pois ambos sabemos da importância dessas aulas na formação de Michelzinho, não sabemos?

É por isso que, caro excelentíssimo senhor doutor presidento Michel Temer, insistimos. Na importância do papel da família e do pai da família na formação de um ser humaninho como é Michelzinho.

Vossa excelência, senhor doutor presidento, sabe mais do que ninguém na história desse país, o quanto esse colégio é tradicional e preza pela família brasileira. Vossa excelência, senhor doutor presidento, sabe mais do que ninguém na história desse país o compromisso desse colégio com nosso senhor Jesus Cristo e a doutrina católica. Sabe, portanto, senhor doutor presidento, o estranhamento que nos causa os calombos que têm brotado da testa de Michelzinho, vosso filho, nos últimos meses. Por isso insistimos, presidento, na questão do exemplo que Michelzinho tem recebido em casa, como acima citamos, presidento.

Caro excelentíssimo senhor doutor presidento Michel Temer, ocorre que a situação de Michelzinho tornou-se insustentável na última quarta-feira quando, durante uma aula de história, Michelzinho interrompeu o professor e beijou no rosto a nossa representante de classe democraticamente eleita pelos coleguinhas — jurando fidelidade a seu mandato.

Tal ato, presidento, como nós do comitê do bom senso infantil do colégio esperávamos, gerou um frenessi coletivo nos coleguinhas, que batiam vossos lápis contra o caderno. Ocorre que, vossa excelência, o senhor doutor presidento sabe mais do que ninguém na história desse país, da importância das aulas de história na formação de Michelzinho, vosso filho. E de como essas aulas nos ensinam que a história se repete , sempre se repete, não é mesmo, caro excelentíssimo senhor doutor presidento Michel Temer?

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