Por que o tempo passa mais rápido quando somos adultos?
Vira quase um fato quando se tem por volta dos 20 poucos anos: a nostalgia bate à porta, sente-se saudades da infância e da adolescência e sempre rola uma frase solta na roda de amigos: “o tempo voa”.
Essa tradição também vira rotina no final da primavera. Novembro chega e com o mês as prateleiras de mercados já estão ocupadas com panetones: “já é Natal? Já acabou mais um ano?”, questiona-se.
Essa sensação de que o tempo voa cada vez mais conforme envelhecemos não se baseia apenas em nostalgia: ela é explicada pela ciência, apresentada pela Scientific American.

Menos “primeiros”
O psicólogo William Hames escreveu em 1890, no texto Princípios da Psicologia, alguns dos motivos dessas sensações. Segundo James, a vida adulta é acompanhada cada vez menos de eventos memoráveis. A passagem do tempo é medida pelos “primeiros” (primeiro beijo, primeiro dia de escola, primeira viagem) e essa falta de novas experiências causa um sumiço repentino dos dias e das semanas.
A percepção de James foi comprovada por vários estudos diferentes. Em 2005, Marc Wittman e Sandra Lehnhoff, da Ludwig-Maximilian University Munich recrutaram 499 participantes de 14 a 94 anos e pediram que cada um respondesse uma série de questionários.
Wittman e Lehnhoff não acharam uma forte relação entre a idade e a percepção do tempo de cada indivíduo. Ou seja: o tempo passa rápido para a todas as idades. Mas, pessoas de 50 anos tenderam a responder à pergunta “quão rápido os últimos 10 anos passaram por você?” com um “muito rápido”. Questões como o “quão rápido a última hora passou?” tiveram respostas parecidas entre todas as idades.
A passagem do tempo é medida pelos “primeiros” (primeiro beijo, primeiro dia de escola, primeira viagem) e essa falta de novas experiências causa um sumiço repentino dos dias e das semanas

Já pessoas entre 20 e 59 anos responderam mais sobre uma “pressão do tempo”, em que uma noção de que o tempo está passando rápido e não conseguimos cumprir nada dentro desse período.
Em 2010, outro estudo reforçou essa ideia: William Friedman e Steve Janssen, das Universidades de Oberlin e Duke, respectivamente, analisaram 49 estudantes e 50 adultos entre 60 e 80 anos. Foi dada uma lista de 12 eventos da última década e foi pedido para que eles escolhessem: a) quando o evento ocorreu b) como eles lembravam de cada evento.

Os dois grupos mostraram uma boa memória dos eventos, mas o grupo mais jovem era mais propenso a subestimar a idade do evento. Os adultos mais velhos também tiveram a sensação de que a última década passou mais rápido, comparando-se aos jovens.
Chegou-se, então, a algumas conclusões que tentam explicar por que a cada Réveillon algum parente seu mais velho sempre lembra da rapidez dos eventos do último ano, mas quando crianças aquele Natal demora (e muito) para chegar. Elas são divididas em alguns pontos interessantes.
1) Tempo x eventos
Como William James disse, nós fazemos uma relação tempo x eventos. Logo, quando vivemos a rotina intensa e repetitiva dos adultos, menos eventos novos acontecem, o que acelera o tempo, ao menos na nossa percepção.
2) O tempo passado é relativo em relação a idade
Para uma pessoa de 5 anos, um ano é 20% de sua vida inteira. Mas, para uma pessoa de 50 anos, um ano é apenas 2% de sua vida. Essa teoria de porcentagem sugere que nós comparamos intervalos de tempo de acordo com o total de nossas vidas.
3) Nosso relógio biológico diminui
Outro ponto é que o envelhecimento traz consigo uma desaleração de nosso ritmo interno, o que dá a impressão de que o tempo externo passa mais rápido.
4) Quando envelhecemos, prestamos menos atenção no tempo
Mais responsabilidades, menos tempo para pensar que o Natal vai chegar. Quando criança, você conta os dias para o seu aniversário, espera ansiosamente a chegada do Natal e não quer nem pensar na hora de voltar para a escola. Quando mais velhos, o pensamento de que “falta um mês para o meu aniversário” é cada vez menor, já que preocupa-se com contas, trabalho, aluguel, prazos e etc.
5) Estresse
Essa pressão de que não há tempo suficiente para cumprir tarefas também faz com que fiquemos com a sensação de que o tempo passou rápido.
O que faço, então?
A sugestão da Scientific American é fazer um exercício de pensamento: o tempo não está passando mais rápido — literalmente. O minuto tem a mesma duração que tinha quando você tinha 8 anos e terá a mesma duração quando você chegar aos 80. Aproveitar momentos e buscar novas experiências podem amenizar essa sufocante sensação de que tudo passa rápido.
Originalmente em Apontador.com