Toca no 12

Você não quer entrar?

Tomar um café

O seu com duas de açúcar

O meu bem amargo dando goles largos

Resolver olhar os quadros da parede

E por assim ficar?

Talvez o meu quarto pode ter seu nome

Minha cama pode ter seu cheiro

E esses posters na parede podem ter

gostos meus misturados com os teus

Você não quer entrar?

E fazer pastel

Deitar na cama

E reclamar do ketchup de mel?

Vem, entra aqui

Não precisa ter vergonha

Acho que isso aqui sempre foi seu

Vem ver os meus vinis

Problematizar as músicas

Se perder nas horas

Ver que já é noite

E nem aí

Pois nem abrimos a cortina quando amanheceu

Suas roupas sendo minhas roupas

Minhas blusas guardadas no fundo do armário

Virando presentes novos extraordinários

Te deixando tão bem que parece que eu comprei

Pensando em você

Você não quer entrar?

Não precisa ser aqui também

Podemos entrar junto

Em um novo além

Mobilhar com coisas do brechó da esquina

Viver todo dia uma efemeridade

Preso em teus goles de café e mordidas do pão que eu deixei queimar

Você não quer entrar?

E deixar a vida levar a gente até qualquer lugar

Pode ser aqui

Qualquer quarto-sala

Ou a casa na floresta

Só aviso que se aparecer uma cobra, eu não vou matar

Mas se tiver você, um gato chamado Caetano

E teu sorriso me beirando um bom dia

Para mim tão bom

Você não quer entrar?