Os Carmins e as outras cores

Webdocumentário poético, biográfico e georreferenciado sobre a obra do poeta Oscar José Medeiros Jr. que vive em São João del Rei-MG há quase 20 anos.

Oscar José Medeiros Junior, ou o Poeta, sobrevive em São João del Rei há cerca de 20 anos. Destilando toda a dor e o prazer de ser poeta e ser artista nessa cidade, nos últimos anos Oscar perdeu a sua oitava esposa, que foi para perto de seus pais em São Paulo levando seus 2 filhos (um recém nascido, outro na barriga) procurando uma estabilidade e segurança para criar seus filhos que não encontrava aqui. Com o luto e o vazio desta perda, Oscar resolveu na bebida a anestesia que precisava. E com o abuso da bebida, o Poeta perdeu alguns dentes, alguns amigos e o apoio de seu mecenas, que enviava a ela algum dinheiro para que ele se dedicasse a Poesia. O Poeta voltou a morar nas ruas, pela quarta ou quinta vez (diz que perdeu a conta), sem mecenas, sem esposa, sem filhos, sem amigos. Definitivamente estabilidade e segurança não são as palavras preferidas no dicionário do Poeta.

Oscar fez uma escolha radical. Resolveu dedicar-se exclusivamente à oração e a Poesia. Morou em mosteiros, asilos, abrigos, repúblicas e em mais 10 casas nesses anos em São João del Rei. Garante que está aqui nesta terra e nessa Terra somente pra isso: Louvar a Deus, ouvi-lo, e traduzi-lo aos homens através de seus poemas. Há quem diga que ele é louco, há quem diga que é um gênio. Uns admiram-no por sua inteligência, outros o acham estúpido! Tem gente que ama o poeta, mas não gosta do Oscar. Tem gente que acha o Oscar um cara foda, um grande poeta, um gênio, “o maior poeta da lingua portuguesa” — acreditava assim o seu mecenas. O conflito de personalidade e identidade entre o ‘Oscar’ e o ‘Poeta’ pode ser que seja o argumento deste documentário: De fato, é inegável que a obra do Poeta Oscar é de valor inestimável, cultural e espiritualmente rica. Mas e quanto ao ser humano Oscar, por que se abandonou? Por que foi abandonado por esposas, parentes, amigos, mecenas?

Em 2013, gravamos a série Sursum Corda (1 clipe de música + 1 videopoema + entrevistas), com a mentoria dos parceiros Igor Amin e Vinicius Cabral da TV Cocriativa e a participação de vários músicos da cidade, filmados em pontos turísticos de São João del Rei.

A Obra: 145 poemas, 3 roteiros teatrais, cerca de 15 canções (letra e música), e um monólogo em permanente construção.

Eu e Oscar já rabiscamos alguns poemas e compusemos algumas canções juntos. Ah! É bom lembrar que além de poeta, Oscar é roteirista e escreveu uma trilogia para o teatro: A Casa do Tempo; das Artes e das Alturas. E além disso é um compositor excelente de letras e melodias. O único registro em audiovisual de alguma canção que fizemos juntos é essa música chamada Sursum Corda, que fizemos juntos verso a verso, acorde a acorde, numa parceria entre mim, Oscar (e Deus, claro).

Este vídeo foi produzido em 3 dias. Nos conhecemos no primeiro, juntamos as pessoas e gravamos no segundo, e editamos no terceiro. Numa maratona criativa que eu jamais havia visto ou participado. Nenhum dos músicos jamais tinha ouvido a música, alguns eu nem tive a oportunidade de conhecer, já que as tomadas foram feitas por duas equipes espalhadas pela cidade. Tenho que registrar e manifestar minha admiração pela competência, dedicação, seriedade e sensibilidade de Vinicius Cabral e Igor Amin.

Em 2014, Oscar publicou o primeiro zine, Poesia Crônica, e fizemos um espetáculo muito maluco e marginal no Teatro Municipal de São João del Rei, chamado “À Margem, agosto”. Evento totalmente colaborativo contou com a participação de dezenas de artistas da música e do teatro que se juntaram nesta força tarefa! Aos trancos e barrancos, mesmo com todos os tropeços e deslizes fomos felizes! O cenário? Um bar! Com direito a participação do Paulinho (do bar Santo Antonio) atuando como ‘Paulinho’, representando o dono do bar muito bem, como faz todos os dias. A obra não poderia ser mais marginal, com os atores e músicos transitando livremente pelo bar-palco e o trabalho não poderia ter sido menos difícil! No fim de 2014, Oscar ficou desabrigado e devido à saúde debilitada, ir novamente na rua não era alternativa. Oscar foi para o Sagrado Coração de Jesus, onde abrigou-se nos últimos 2 anos.

Uma luz no fim do túnel: com o auxilio de anjos e amigos, Oscar finalmente conseguiu ser aposentado pelo INSS e agora não está mais totalmente entregue ao próprio destino. Agora, respirando novamente, com a saúde bucal e respiratória em processo de recuperação, Oscar pretende recuperar seu trabalho poético e musical, e voltar a escrever e compor…

Oscar tem no Forno: 3 peças pra teatro: As Casas “do Tempo”, “das Artes” e “Das Alturas”, 1 monólogo “Paracleto”, dezenas de músicas e muita poesia acumulada na cabeça e no coração desses tempos dificeis que ele passou ultimamente.

Ajude o Oscar a tirar esses trabalhos do Forno, colaborando com o crowdfunding — financiamento coletivo “Os Carmins e as outras cores”