NÃO,NÃO DEVOLVEMOS O 7X1 PARA A ALEMANHA,FIZEMOS ALGO MAIOR

Somos passionais, nos comovemos em excesso, é marca nossa; transformamos as derrotas em caso de divã-e encurtamos a terapia em cada nova vitória. Se as vaias são marcas nossa, o choro também é.
Longe da alçada do racionalismo, entender aquela semifinal de copa do mundo implica em remexer nas entranhas do intimo de uma das coisas que permitiu surgir a nação: nossa relação emotiva com o Futebol.
Nele diagnosticamos nossa falta de auto-estima, complexo de vira-lata, e durante uma partida de futebol nos comportamos como o expansionismo da OTAN: queremos o mundo aos nossos pés. Não importa, desde uma copa do mundo em casa a uma olimpíada esvaziada, temos de ser os melhores.
Ignorando isso, os apátridas desejavam a derrota ontem como se num passe de mágica Marco Polo Del Nero fosse defenestrado do cargo e superássemos o fisiologismo e patrimonialismo que permeia nossas confederações.
Apesar deles e a reboque da ressaca no minerazo e no palco da clássica derrota para o Uruguai em 50 tivemos desbridado da garganta o grito de campeão olímpico depois de 120 anos e varias gerações de excepcionais talentos fracassadas. Nem Zico,nem Ronaldo,nem Romário;fomos de Werveton,Renato Augusto e Luan.
O maracanã não era o mesmo de 50, deformado, não comporta mais os duzentos mil torcedores, mas os filhos e netos daqueles da metade do século fizeram uma festa tão emocionante quanto. Os Alemães não os mesmos do torneio mundial, mas com mesmo ímpeto soberbo de quem finge desconhecer os 5 títulos mundiais e demagogicamente simulavam o fim da historia naquele trágico dia em julho, para o nosso deleite fizemos lembrar que contra o escrete nacional quase sempre a força total não será suficiente ,imaginem quando se deixa alguns nomes de fora. A eles restaram além do ostracismo da lembrança só restou fazer, inutilmente, 7x1 com os dedos como uma forma de provocar os improvocaveis torcedores, impinotizados nas arquibancadas nossa torcida só olhava para si e para o ouro inedito procurando ninho no seio nacional.
No campo o principal nome do nosso time fez o que dispensou fazer em grande parte da taça ,foi líder e de falta mostrou que o dia de ontem foi o primeiro da retomada do respeito de quem sempre esteve no topo do futebol mundial.
Suas lagrimas revelaram que por trás da marra de badboy estava um torcedor que assim como os demais desejava estar naquela Atlanta 96, e encerrar ali,20 anos antes nossa agonia olímpica.
Magicamente, margeando nosso gol, bateram-se 3 bolas em nossa trave ,definitivamente aquele não era o dia dos vira-latas de plantão. No gol não o Barbosa de 50, porém igualmente competente mostrou que nossa tradição também é de bons goleiros e do outro lado sempre haverá de ter candidatos a Baggios,consagramos nosso goleiro e demonizamos o batedor adversario.
Num só chute de penalti, enterramos — mais uma vez — o complexo diagnosticado por Nelson Rodrigues, conseguimos um titulo inédito, e o único que faltava para completar nossa estante, coroamos nossa torcida e seu jeito único de torcer.Aplaudimos os rivais ,mostramos que não somos feitos de ódio e nos concentramos na nossa alegria,como quem não deve nada a ninguém. 
Como disse o Juca, porque só que falta agora é nós acharmos que ganhar uma medalha olímpica possa fazer mal.

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