—Aow, amor!

—Quê?

—Vem aqui ver uma coisa, rápido!

—Não.

—M-mas… por que?

—Porque eu sou um maldito cacto.

—Ah não, Ernesto. Não acredito que você vai começar com este papinho de novo.

—Valentina, eu-

—Sempre a mesma coisa, Ernesto. Quantas DRs nós já tivemos quanto a isso? Quantas outras DRs a gente vai precisar ter? Desse jeito não vai dar.

—Valen-

—Você precisa mudar, Ernesto. Pelo seu bem. Pelo nosso bem. Você sempre tem alguma desculpa para me evitar! Eu acho que-

—EU SOU UM CACTO, PORRA! NÃO POSSO SAIR DO LUGAR!

—…Ah, é. Tem isso, né. Hehe.


A vida de Ernesto e Valentina como casal não tem sido fácil. O fato de esses dois conseguirem manter um relacionamento é um tanto quanto impressionante.

Mais impressionante que isso é o fato de que, de alguma maneira, em algum lugar e em algum momento, dois cactos vieram à vida com personalidades distintas (e ligeiramente humanas), sentimentos, nomes pré-definidos e cordas vocais. Vai entender…

De qualquer maneira, voltando à convivência do casal; Valentina tem tido dificuldades para assimilar o fato de que ela é, na realidade, uma planta. Ernesto até que tenta ajudar nesse ponto, mas muitas vezes Valentina sequer permite.


—Não é tão difícil de lembrar disso, Val, nós sempre fomos e sempre seremos plan-

—PERA. ERNESTO! VOCÊ FALOU UM PALAVRÃO?! NA MINHA FRENTE?! NÃO ACREDITO.

Ai, caralho…

—EU SOU UMA DAMA, ERNESTO! NÃO POSSO TOLERAR ESSE TIPO DE PALAVREADO AO MEU REDOR!

—…

—ENTÃO É ASSIM? SILÊNCIO? TUDO BEM ENTÃO. ACABOU, ERNESTO. QUERO QUE VOCÊ SE DISTANCIE DE MIM!

—Eu sou um cacto, Valentina. Não vou a lugar nenhum.

E assim, a confusa Valentina se desmanchou em lágrimas. Momentos depois, ela se arrependeu de toda a confusão que criou, e pediu um abraço. Ernesto recusou, alegando ser um cacto.

Um berreiro se seguiu. Ernesto se perguntou qual seria o sentido dessa vida.

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