Primeiro contato com a Samantha, o sistema operacional.

A possibilidade de se apaixonar por um Sistema Operacional

Em um futuro distópico, Theodore Twombly (Joaquin Phoenix)trabalha em uma empresa escrevendo cartas para clientes que desejam agradar alguém, mas não do modo convencional, tudo é realizado virtualmente de maneira oral e reconhecido por um computador. O personagem melancólico e solitário tem pouca interação social, mas sua vida muda quando ele instala um sistema operacional chamado Samantha, pelo qual ele irá se apaixonar.

Ela (Her) é um filme sobre as relações humanas, sobre as mudanças que acontecem com a tecnologia e sobre o vazio que nos acompanha algumas vezes ao longo da vida. Uma reunião entre amigos pode parecer algo bastante proveitoso e cheio de afeto nos dias atuais, mas o empecilho do uso constante dos smartphones tem provocado problemas de interação social. Essas questões tem afetado o famoso flerte, relação das famílias e da convivência social.

Na trama, a sociedade em constante movimentação e sem tempo para coisas simples da vida como ainda conhecemos atualmente, acaba por comprar um sistema operacional baseado em saberes armazenados na rede. A “inteligência coletiva” de Pierre Levy gerando a inteligência artificial de um sistema operacional para entretenimento e interação humana.

Acontece que o SO é um produto e tem o intuito de satisfazer seus compradores, além da obrigação de gerar lucro para que investimentos sigam acontecendo. Considerando que a “inteligência coletiva” deve ser acessada por todos sem distinção, o futuro retratado no filme, apenas a elite teria poder de compra de um sistema que além de organizar emails, contatos e documentos, pode facilmente cumprir o papel de amiga, e até mesmo de namorada. A falha no termo de saberes compartilhados é também bastante criticada por ocultar a face do capitalismo, do interesse das empresas em cobrar pelo conhecimento, como já acontece atualmente.

Theodore em alguns momentos do filme relembra momentos vividos com sua ex-mulher, e a relação era cheia de toques, abraços, calor humano, totalmente diferente da realidade em que ele vive, tocando poucas vezes até mesmo o próprio celular. É neste vazio existencial deixado pela sua antiga amada que Theo dá abertura para a Samantha (Scarlett Johansson), que nos cativa mesmo sem aparecer, apenas com sua voz. Programada para ter uma inteligência artificial perfeita, começa a refinar seu conhecimento acessando banco de dados na internet e trocando informações inclusive com outros SOs, esse contato a faz sentir vontade de ser uma humana e agir como tal. Além de confundir, satisfazer as necessidades sexuais e de interação com outra “pessoa” do personagem.

Com uma trilha sonora e roteiro super legal, o filme questiona e provoca muitas dúvidas nos espectadores. Seria possível manter uma relação amorosa sem contato corporal? Até que ponto os computadores podem cumprir as necessidades humanas? É chocante a ideia de pessoas se relacionando com softwares. Espero que não alcancemos esse extremo, mas, independente de computadores, quando o mundo perde o sentido real, é hora de rever nosso modo de vida e escolhas das nossas prioridades.


Texto produzido para a disciplina de Comunicação e Tecnologia. Ainda estou aprendendo, seguimores!

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