Utilizar o Facebook Ads sem partir o mealheiro

Imaginemos que temos uma loja online e queremos criar anúncios no Facebook.

Antes de ir com demasiada sede ao pote — como dizia a minha avó — consideremos o seguinte:

Uma página de Internet tem várias sub-páginas que estão interligadas num esquema de navegação. Cada uma dessas páginas tem uma função e tráfego de utilizadores diferente (em princípio). Podemos facilmente aferir essa informação através do Google Analytics. Aferir quais as páginas mais visitadas.

Com o levantamento dessas páginas vamos perceber onde os utilizadores foram parar e o que precisamos de fazer para que eles dêem o passo seguinte.

Posto isto, cada anúncio será direcionado para uma página específica do nosso website. Teremos assim campanhas para quem acrescentou um produto ao carrinho de compra mas não finalizou a compra, para quem leu apenas determinado artigo ou por exemplo para quem só visitou a página “sobre nós”.

Para podermos arrancar com anúncios no Facebook vamos criar um perfil em Facebook Business.

Para que o Facebook tenha acesso à informação sobre o tráfego de utilizadores no nosso website será necessário criar um “tracking pixel” — basicamente é um código que iremos inserir na nossa página.

Para obtermos o código temos de criar uma audiência.

Após selecionarmos que queremos uma audiência customizada, vamos definir que a informação que pretendemos é obter o tráfego do website. A partir daqui estamos prontos para criar o pixel — “web remarketing pixel”.

Ainda para a nossa audiência vamos querer obter informação de todos os utilizadores que visitarem a nossa página e vamos escolher um período largo para trabalhar essa informação — 180 dias. Depois de gerado o código (pixel), toca a copiar o mesmo.

Agora temos que colocar o pixel na nossa página.

Se esta estiver em Wordpress basta aceder ao backend da mesma (aceder como administrador), ir a “appearance” e depois escolher o Editor.

Temos de aceder ao ficheiro Header (header.php), que representa o código do cabeçalho da nossa página.

Depois de abrir o ficheiro basta procurar a linha de código <head> e colar aí o pixel. Não esquecer de fazer upload do ficheiro e voilá, pixel a andar.

Como este código serve para o Facebook poder monitorizar a nossa página, é necessário aguardar algum tempo para obter os primeiros resultados substanciais.

A partir daqui é partir pedra com tudo o que for componente visual/conteúdos de cada uma das campanhas. Nada pode ser minimizado, desde imagens, cores e texto.

Nos nossos anúncios deve haver obrigatoriamente um elemento “call-to-action” que é o que permite a pessoa tomar uma ação e interagir com o anúncio.

Para atribuir credibilidade à campanha, devemos inserir o logo da empresa.

Há ainda quem defenda que incluir um elemento humano ajuda à conversão do anúncio.

Em termos gráficos, já não vivemos na era em que era preciso estar sempre a desenterrar ferramentas “pesadas” como o Photoshop. Por exemplo a ferramenta Canva dá conta do recado para algo deste género.

O Canva permite escolher logo dimensões para posts do Facebook.

Atenção que o texto não pode ocupar uma área muito grande do anúncio, de outra forma corre-se o risco deste não ser aprovado pelo Facebook.

Finalizada a parte gráfica, voltamos ao Facebook e à parte onde iremos criar o nosso anúncio — “create ads”.

A primeira coisa que nos é pedida é o objetivo da campanha. Aqui vamos querer a opção de mais pessoas a visitarem o nosso website: “send people to your website”.

Devemos colocar o endereço exacto da página onde queremos que os utilizadores vão parar. Esta página tem que dar continuidade aos elementos que vamos incluir na campanha, de outra forma irá baralhar os utilizadores.

Na opção de “Create an ad set” vamos querer uma audiência definida por nós, “Custom Audience”. Afinal neste passo é onde o Facebook nos vai apalpar os bolsos.

Na parte de “Website Traffic” devemos escolher a opção de “People visiting specific web pages but not others”. Uma vez que determinamos as páginas mais visitadas e vamos talhar as campanhas para aumentar a conversão das mesmas, não vale a pena escolher uma opção como “Anyone who visits your website”.

Queremos que a nossa audiência sejam pessoas que tenham visitado determinada página. Por isso temos de introduzir um endereço específico. A opção a escolher é “URL equals” em vez de “URL Contains”.

Podemos ainda excluir utilizadores, colocando por exemplo, o endereço da página de pós-compra. Desta forma garantimos que a nossa campanha não é mostrada a quem já deu o passo que estamos a promover.

Depois de definida a nossa audiência — “custom audience” — o Facebook vai querer mais detalhes (critérios como idade, sexo, interesses, etc.).

No entanto, como já está claro e delimitado o tipo de utilizadores que queremos mostrar o anúncio, porque não deixar estes critérios em branco? Com isto vamos claramente pagar menos pela campanha e ter uma boa taxa de conversão. Não podemos por isso ficar assustados se o Facebook nos avisar que nossa audiência é demasiado pequena.

Devemos optar por manter a campanha a decorrer continuamente. Uma vez que esta está configurada para mostrar apenas a uma audiência que obedece a determinado critério, o orçamento gasto será sempre baixo.

Na opção de “Optimize For” vamos escolher impressões (“impressions”). Normalmente esta até não é a melhor opção face à opção de clicks no anúncio, mas como limitamos a quem vai ser mostrado, não há problema em ficar assim.

O Facebook faz sempre uma sugestão de preço/orçamento, neste caso por 1000 impressões. No entanto podemos fazer aqui uma pequena alteração que fará com que a campanha seja mostrada mais vezes. Para isso basta aumentar um pouco o valor sugerido (pode até ser um cêntimo acima do que é sugerido).

Na parte de inserir os elementos visuais no Facebook, este permite que tenha apenas uma imagem ou várias imagens no mesmo anúncio. De modo a diminuir o risco de distração por parte dos utilizadores, vamos optar por uma única imagem. Uma imagem corresponde a um objetivo.

Temos ainda que ter em atenção ao título/cabeçalho (headline) onde deve ser feita referência ao produto/serviço/artigo.

O texto em baixo irá funcionar um pouco como subtítulo e deve reforçar os detalhes que estão no título.

Temos também que escolher um elemento call-to-action. Não queremos que este seja demasiado agressivo, por isso uma hipótese é “saiba mais”.

Em opções avançadas está algo escondido que não é de desperdiçar, trata-se de poder adicionar mais 200 caracteres ao nosso anúncio.

Posto isto é finalizar e controlar os efeitos da campanha.