O eterno início do túnel

Pedro Oliveira
Sep 3, 2018 · 1 min read

Tudo que eu criei, deu errado. Com esse pensamento eu sai, quando fui atravessar a rua, vi de perto uma coisa linda, tentadora, mas errada.

Eu vi a morte.

E ela estava linda.

Fui atrás dela e a convidei pra jantar. Ela aceitou. Combinamos para a mesma noite.


Arrumei a minha casa para a sua chegada, deixei tudo pronto, e por culpa do nervosismo tive de ir ao banheiro.

Ela chegou, abriu a porta e se sentou na mesa, pronta. A minha coragem não me deixava sair do banheiro, mas eu senti que ela ia esperar a noite inteira ali.

Sentei a mesa com ela.

Eu estava ofegante.

Conversamos um pouco, e chegamos a conclusão que tudo criado foge de cabeça, todos são fracos e falsos, e nenhum filho meu conseguiu ser igual a mim.

Eu perguntei pra ela chorando se eu sou o criador ou a criação.

Ela respondeu que eu crio a dor, com a ação de cria.

A beijei.

E foi naquela noite, que Deus beijou a morte e entendeu o mundo.

Eu me entendi.

    Pedro Oliveira

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    A terra é plana