Na adoração a Deus, não se deve oferecer nada além daquilo que ele mesmo ordenou. (Jeremiah Burroughs)

Qualquer coisa que inserirmos na adoração a Deus precisa ter autorização da Palavra de Deus.
As palavras de Moisés foram proferidas por ocasião do juízo de Deus sobre os filhos de Arão por oferecerem fogo estranho. Eles ofereceram fogo que Deus não havia ordenado. Por isso digo que todas as coisas na adoração a Deus precisam ter autorização da Palavra de Deus. É necessário que seja algo ordenado; não é suficiente que não seja proibido. Eu suplico por vossa atenção a isso. Não é suficiente dizer que alguma coisa não é proibida, e qual é o mal que tem isso? Mas é necessário que tenha sido ordenado. Reconheço que, em assuntos civis e naturais, isso pode ser suficiente. Se for apenas de acordo com as regras da prudência e não é proibido na Palavra, podemos fazer uso disso nas coisas civis e naturais. Mas quando se trata de assuntos da religião e da adoração a Deus, precisamos de um mandamento ou algo extraído da Palavra de Deus em que ele manifesta sua vontade, quer seja um mandamento direto, quer seja comparando uma coisa com a outra, ou por meio de inferências claras do que está escrito.
Quando se trata da adoração a Deus, precisamos basear-nos naquilo que ele ordena. Talvez alguém pense: “Que mal havia em esses sacerdotes ao oferecerem incenso ao Deus verdadeiro, fazerem uso de fogo estranho?”. Mas não havia mandamento para o fazerem, e por essa razão não foi aceito. É verdade de que existem certas coisas na adoração a Deus que são ajudas naturais e administrativas, e nessas não é necessário que haja mandamento. Por exemplo, quando vamos adorar a Deus, a congregação se reúne. Ela precisa de um lugar apropriado para se abrigar das intempéries do tempo. Mas isso é apenas um aspecto natural, enquanto uso o lugar de adoração como ajuda natural, não preciso de mandamento nenhum. Mas se eu quiser colocar algo em um lugar além do que lhe diz respeito, por sua própria natureza, aí preciso procurar um mandamento; porque, se considero um lugar mais santo do que outro, ou penso que Deus deve aceitar adoração em um lugar e não em outro, isso é fazer com que o lugar da adoração se eleve acima da posição que por natureza possui.
Assim, se qualquer coisa criada é elevada com fins religiosos acima da posição que possui por natureza, se não tenho nenhum texto bíblico que me autorize, estarei sendo supersticioso. Essa é uma regra muito útil para ajudar você. Se você faz uso com fins religiosos de qualquer coisa criada além daquilo que ela é em sua própria natureza, se não tem uma autorização da palavra de Deus (qualquer que seja a forma em que apareça, desde que seja plausível), esse uso é supersticioso.
Havia um lugar que era considerado santo, mas isso tinha sido determinado por Deus. Também com respeito ao vestuário, para usar o que é decente, basta a luz da razão. Mas se eu atribuir ao vestuário qualquer coisa que estiver além da própria natureza dele, como se faz com a sobrepeliz, ora essa! Será que ela possui alguma propriedade a mais em sua própria natureza? Ou isso não é apenas uma instituição humana? Ora, quando alguém, por iniciativa própria, atribui um aspecto religioso a uma coisa, sem autorização da parte de Deus, isso é superstição! Todos nós precisamos ser adoradores obedientes, de boa vontade, e não adoradores obstinados, voluntariosos.
Temos de vir de bom grado adorar a Deus, mas não devemos adorá-lo de acordo com nossa própria vontade. Por isso, o que quer que façamos na adoração a Deus, se não temos autorização para fazê-lo, teremos de calar a boca quando nos for perguntado: “Quem te mandou trazer isso que tens nas mãos?”.
Em Mateus 15:9, lemos o seguinte: “Em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens”. Em vão! É coisa vã adorar a Deus quando se conta apenas com o mandamento de homem para essa adoração. Se você quer adorar a Deus, é necessário um mandamento de Deus para fazê-lo. Isaías 29:13 mostra como o Senhor se aborrece com todo homem que ensina a teme-lo com seus próprios preceitos: “Este povo se aproxima de mim e com sua boca e com seus lábios me honra, mas o seu coração está longe de mim, e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, que maquinalmente aprendeu”.
Prestemos atenção! Se essas coisas são assim, que o Senhor tenha misericórdia de nós neste assunto. Há razões para você ser humilhado, acredito que cada um de nós, em maior ou menor grau; esta congregação tem muitos motivos, e a maioria das outras congregações a quem se tem ensinado o temor de Deus por meio de preceitos de homens.
Quanta coisa não tem sido acrescentada na adoração de Deus, coisas para as quais não se pode encontrar base na Palavra! Grande parte das coisas são apenas invenções de homens. Mas agora foram banidas essas coisas, por que pessoas investidas de autoridade as baniram, e você se submeteu a elas. Mas não é suficiente que você se submeta apenas porque as autoridades querem assim. É preciso que se humilhe diante de Deus por causa de toda a tua adoração arbitrária e obstinada, por causa de tua aquiescência a qualquer coisa que diz respeito à adoração a Deus que foi ensinada por preceitos dos homens.
Veja como Deus foi severo com Nadabe e Abiú, simplesmente porque usaram fogo diferente daquele que Deus tinha indicado, embora não houvesse mandamento direto contra fazerem isso. Se o Senhor tem poupado a você e não manifestou nenhum descontentamento, você tem motivo para reconhecer a misericórdia dele e se humilhar por toda a sua falsa adoração. É certo que Deus espera que todo esse país se humilhe por causa da sua adoração arbitrária, caso contrário, estamos semeando entre espinhos. Toda a reforma que se processa em nosso meio não tem sentido se não existe humilhação por causa de nossa falsa adoração. Não é suficiente que passemos agora a praticar a verdadeira adoração a Deus; precisamos ser humilhados por causa da nossa adoração falsa. E esta é a primeira observação que fazemos: na adoração a Deus, não pode haver nada senão aquilo que Deus ordena.