Fala o que quer que se fale
Com a sinceridade em que preenche esse quarto
(Quarto que já me viu deitar angustiado de nem saber
Chorando o que descobri ter sido então saudade
Na primeira vez que te disse até mais)
Deita, que meu sono reaprende a forma do seu
Na sede de cada noite.

Fala, porque o tempo é de vagar e seu ritmo 
Abre um janela, estende uma cortina
Mesmo assim quero repousar aqui e cantar em você.

Olha, olha devagar
Que meu carinho é antigo e não tem pressa
E meus dedos estão florescendo para te coroar.

Me faz o favor de deixar seus olhos pendurados
Porque o tempo é de verdades
É tempo em que esses mesmos olhos são gaiolas sem porta
E meu pensamento o canto de um pássaro que escolheu ficar.