Outono

Porque hoje é 20 de setembro, tchê!

Foi bom você ter chegado, eu tinha de lhe falar:

O outono era a única estação

que Porto alegre conhecia.

Ela descuidava o olhar

e quando menos previa,

folhas ao chão.

Toda a cidade chorava

a beleza daquela relação.

Rezar à chaleira,

tomar para si

as luzes do Bom Fim.

De pinhão em pinhão

a vida esquece a regência

em minutos — vira gaúcha —

esquenta a alma e saí à rua

com o chimarrão nas mãos.

Até as lágrimas ricas de inverno

pedem vez à se esquentar,

quando a chaleira chia

o fim do outono.

“O outono de azulejo e porcelana
Chegou! Minha janela é um céu aberto.
É esse estado de graça quotidiana
Ninguém o tem sob outros céus, decerto!
Agora, tudo transluz… tanto mais perto
Quanto mais nossa vista se alontana
E o morro, além, no seu perfil tão certo,
Até parece em plena via urbana!
Tuas tristezas… o que é feito delas?
Tombaram, como as folhas amarelas
Sobre os tanques azuis… Que desaponto!
E agora, esse cartaz na alma da gente:
ADIADOS OS SUICÍDIOS… Simplesmente
Porque é abril em Porto Alegre… E pronto!”
- QUINTANA, Mario. Outono