Aquele sobre a morte da literatura

Sou apaixonado por literatura. Filho de professora, me acostumei desde muito cedo há ter livros em todas as partes da casa. Do meu quarto à sala-de-estar, no depósito que mantínhamos nos fundos da casa à cozinha; eles eram encontrados aos montes. Li muito de tudo, mesmo que muitas vezes absorvendo pouco da crítica que Golding fazia, ainda me preocupava com Piggy e os garotos perdidos na ilha.

Doyle, Dickens, Rowling, Tolkien, Orwell e Burns. Dos casos do Mr. Holmes às estórias da Escócia vitoriana todos me apresentavam um ponto comum: a descoberta. Todos me apresentavam algo novo, e diziam para um guri de oito anos que, na terra da sua vó, havia um colégio que ensinava magia. Descobri a língua inglesa, os dialetos celtas e finalmente entendi o que ‘Aye’ significava. Os livros me desafiavam, e nada deixa um moleque mais feliz que terminar um desafio.

A literatura têm, em seus propósitos mais antigos, a necessidade de subverter. Shakespeare revolucionou a língua, Ginsberg derrotou a censura, Nabokov quase nos fez aceitar a pedofilia e Burgess nos fazia tremer com a ultraviolence.

“Sorry, folks! O que precisamos é histórias sobre romances adolescentes. Se achar pouco, falem que a menina tem câncer, todo mundo vai pensar ser revolucionário.” (Imagem do filme Kill Your Darlings)

A arte morre no momento que para de chocar. Nos acomodamos com as fórmulas que vendem, e nada pior que fórmulas para sugar a alma de um artista. “Murder your darlings!” (Mate seus queridinhos), dizia Arthur Quiller-Couch para fórmulas literárias. Para ele, o escritor precisava anular todos seus “queridinhos”, todos seus vícios lingüísticos e fórmulas precisavam sumir da página o mais rápido possível.

Lemos o que é fácil. Somos sedentários até em nossas cabeças, só queremos relaxar ao consumir entretenimento. Um livro é bom por que conseguimos “nos ver” nele, e nada é mais fácil de digerir que nossas próprias rotinas.