Aquele sobre um adeus

Era como dizer adeus pela primeira vez. Sentir esvaziar tudo aquilo que já sentira, deixar escapar um último gesto de afeto.

Era deixar de sonhar. Perceber que, naquela vida, já não tinha mais vida.

Você me deixou em pedaços e, como um castelo de cartas construído em uma quina, tudo já estava predestinado a cair.

Era só seguir o roteiro, sabe? Não foi assim que Smith ensinou? Boy meets girls, lembra?

Era como quando eu dormia e nunca lembrava de sonhar. Já não tinha o que sonhar, de tanto que esperei por você.

Era como dizer adeus pela última vez. Olhar com mais atenção para os prédios no seu caminho, dizer oi para o porteiro, passar um tempo observando seus móveis e acariciar o gato. De folhear seu livro favorito e assistir About Time pela milésima vez. Estava na hora de ligar para um amigo e lhe perguntar de seu dia, de ouvir seu irmão contar do carrinho novo que comprara.

Era hora de perceber que não fazia falta, que até a mais forte marca se apaga com o tempo, quem dirá um simples pontinho.

Era um dia pra não ser esquecido, pra fazer todas as coisas efêmeras daquela vida, vivas. De ouvir sua música favorita mais uma vez, tocá-la no violão e se perguntar quando que as coisas chegaram nesse ponto.

Era hora de aceitar que não tinha mais volta, que nem você era mais aquela pessoa. Era um adeus, e ele não tinha tempo para respostas.