Qual o sentido de um hobby para nossas vidas?

Nunca consumimos tanta informação quanto atualmente. Livros, filmes, séries, games e músicas nunca foram tão acessíveis quanto nos dias atuais e isso, por mais ingrato que soe, me fez questionar nosso objetivo ao consumir tanta informação. Afinal, qual o valor de um hobby para as nossas vidas? Não no sentido econômico, obviamente, mas no tempo e esforço que investimos ao consumir algo; qual seria, em termos objetivos, o valor da cultura para nós?

Todos morreremos um dia. Por mais que seja difícil de lidar com tal fato, ele se prova imutável a cada tia-vó sua que vai parar num caixão. Lembro-me de ter escutado o Rique (Overloadr) dizer que, quando acompanhamos histórias fictícias (tais como de livros, séries e afins), “deixamos de existir”. A frase é perfeita e provavelmente responderia a pergunta acima com primor, mas, como com quase tudo que eles falam, procuro pesquisar e me aprofundar um pouco mais. Será que ler ou ver algo nos faz preencher melhor nosso tempo por mera crença no tal “gastar bem seu tempo”? Como bom seu cético que sou, não acredito em vida após morte, e facilmente responderia que ‘Sim! Gastamos nosso tempo, mesmo que inconscientemente, tentando esquecer que um dia morreremos e perderemos tudo o que temos’.

Atualmente possuo uma meta no Goodreads de ler 50 livros por ano, listas intermináveis de filmes à assistir, gasto pelo menos uma hora por dia estudando música, me forço a exercitar meu inglês, meu (humilde,mas crescendo mais que o preço do dollar) alemão e claro, o português. Posso dizer que ocupo praticamente todo meu tempo livre com essas atividades e busco, sempre que possível, alguns afazeres menores no decorrer da semana. Mesmo assim, depois de uns 80 anos enchendo minha cabeça com todos os ‘Das, Die, Der’ da língua do Kafka, de ter lido toda a literatura vitoriana possível e decorado as escalas de todos os acordes no contrabaixo, eu vou morrer.

Parece meio injusto (e até um pouco deprimente) pondo desse jeito, mas minha intenção nunca foi desincentivar a propagação de cultura, mas mostrar como, com um simples fechar de olhos, tudo se perde pra sempre. Possuímos inúmeros motivos para incentivar a produção cultural; um dos principais acredito, seja fazer que talvez um dia, a ciência tire o imperativo da morte e, finalmente, tenhamos de “parar de existir” para nos sentir vivos.