dessas mortes derramadas na curva, caiu um negro menino longilíneo, com dois mundos espelhados nos olhos e os intestinos espalhados no chão
praticava o gastar sola, o olhar os outros de cima, enquadrados nos oculos escuros. nunca desceu da pose, nunca encontrou ninguem, nunca procurou tampouco. peito aberto transbordando dum terno de corte fino, lábia de encruzilhada atravessada na garganta numa corrente dourada, anel de prata presente do seu pai grisalho. nunca leu nenhum dos grandes, levava as bordas nos freios da língua, mascava rimas descascadas das paredes dos prédios. custurava os gados só para sussurrados obscenidades que os suspendesse por um instante que fosse do caminho do fácil. dobrava barulhos como avenidas. morreu sem que ninguém visse, o motorista mal percebeu o solavanco, ou o sorriso silencio sozinho como sempre que encerrava a navalha impassível dos nobres destronados negros urbanos