tinha um parceiro que era assim meio pedro luis jorge ben, sol nas costas na calçada de final de tarde, 474 lotado parado no ponto com um sorriso de canto de boca vendo as dondocas de copacabana horrorisadas. bermudão largo chinelo maior que o dedo uma viola segurado pelo braço por cima do ombro. certo dia de cerveja gelada esse parcero me apresentou um mano que era assim meio itamar assumpção jards macalé, moleque soturno de sorrisos ironicos e humor afiado em fio de navalha torta. corria os botecos do méier atravessando pequenos golpes nos pela que não botava fé na manha do garoto. terno fino e patuá por baixo, oculos escuros redondos do avô. belo dia saí com essa figura pra procurar o fim de uma garrafa de conhaque e esbarramo num moleque joão nogueira paulo cesar pinheiro. cabeça dura que só, virtuoso nos dedilhados e dado as convenções dos antigos, gostava do cristal lapidado da voz dos choros, daquele brilhinho poerento de um vinil de 78 rotações nacional mal gravado numa quitinete alugada na glória. calça branca puida nas barras, coração grande abrigado numa camisa listrada em vermelho. se juntasse o sorriso desses tres malandros traçasse uma mediatriz espremesse bem com nó de marinheiro saia suco de pedra portuguesa, gostinho de rio sujo daquele rio do verão que a gente sente saudade no rio do inverno

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.