Empreender: um velho sonho das novas gerações

Pode-se afirmar com relativo grau de certeza e de segurança que a maior parte das pessoas que atuam ou desejam atuar de forma ativa no mercado de trabalho, sejam elas estagiárias, efetivas, autônomas ou mesmo estudantes já viu, em algum momento de sua vida, a ideia de tornar-se um empreendedor e ter sua própria empresa cruzar a sua mente, cada qual por seu próprio motivo. De fato, ter um negócio próprio foi listado como o terceiro maior sonho do brasileiro, ficando atrás apenas de viajar por todo o país e ter sua casa própria, respectivamente.

Muitos profissionais atuantes e consolidados tratam isso como mero devaneio, considerando que o mesmo surgiu apenas em função de um momento ocasional de exasperação e/ou exaustão profissional; alguns, trabalham em empresas de terceiros mas mantém vivo o sonho de abrir seu próprio negócio, encarando seus empregos atuais como agente viabilizador de seu projeto pessoal; outros, não enxergam outra forma de se viver e trabalhar senão em função de seu próprio sonho ou ideal, empreendendo constantemente em busca do acerto que os levarão a alcançar seu sonho.

Para um grupo específico de pessoas, que são os jovens, sejam eles estudantes, universitários ou aspirantes a tal, no entanto, o ato de empreender é visto não apenas como uma forma de atingir metas profissionais e financeiras, mas de se ter qualidade de vida e de se praticar aquilo que se gosta, apresentando-se como um rumo sedutor para uma carreira que ainda está se desenhando.

Com efeito, o tema empreendedorismo tem-se apresentado como de grande pertinência para os jovens, com dados da pesquisa “Empreendedorismo nas Universidades”, realizada em 2015, afirmando que cerca de 60% do público universitário tem o desejo de empreender e ter seu próprio negócio.

A BUSCA PELA AUTONOMIA

O interesse e o desejo pelo empreendedorismo entre os jovens pode estar diretamente ligado ao fato de que historicamente, para muitos jovens a escolha profissional é um verdadeiro calvário, sendo objeto de ansiedade e angústia para os mesmos, algos que apenas agravou-se ao longo das últimas décadas a medida que tornou-se mais aceitável e até desejável que a busca por uma profissão se dê com base naquilo que irá proporcionar satisfação pessoal e prazer para os mesmos.

De fato, segundo indicam pesquisas realizadas pela empresa “Universum”, existe um aumento gradual no interesse por empreender em cada nova geração que surge, com cerca de 55% das pessoas que compõem a “Geração Z” estando interessadas em abrir sua própria empresa. Dentre os principais motivos para tal está a possibilidade de ser o próprio chefe, ter controle de suas decisões e a crença de que dessa forma eles terão maiores chances de causa um impacto real do que trabalhando para empresas de terceiros.

Segundo dados da mesma pesquisa, quando compara-se os números da “Geração Z” e da “Geração Y” (que é a predecessora da atual geração), pode-se imediatamente notar como a busca por autonomia e independência é um importante fator no estabelecimento de um desejo de empreender, com 32% das pessoas da “Geração Z” tendo autonomia profissional como um de seus principais objetivos profissionais, contra 22% da “Geração Y”.

O aumento no interesse e desejo por empreender, aliás, é esperado, haja vista que estudos realizados pelo Fórum Econômico Mundial e pela Global Entrepreneurship Monitor indicam que o mesmo tende a variar conforme a idade, sexo e, principalmente o nível de instrução dos empreendedores, com o terceiro item tendo sofrido alterações significativas ao longo dos últimos anos em função da disseminação mais ágil e fácil do conhecimento, proporcionada em especial pelos meios tecnológicos.

Vale ressaltar, contudo, que apesar de o desejo pelo empreendedorismo estar diretamente relacionado a um maior grau de instrução ele não necessariamente reflete uma melhora nas condições sociais do país, segundo afirma Sérgio Bulgacov, Yára Lúcia Bulgacov, Sieglinde Kindl da Cunha, Denise de Camargo e Maria Lucia Meza, autores do artigo “Jovem empreendedor no Brasil: a busca do espaço da realização ou a fuga da exclusão?”: “Pelo contrário, esse empreendedorismo está associado às condições de um trabalho precário”.

Há de se ressaltar, ainda, que o desejo por empreender é reforçado a medida que os jovens, em especial os da “Geração Z” não conhecem um mundo sem internet, tendo crescido expostos diretamente a diversos exemplos de startups de sucesso, em especial do setor de tecnologia, como Facebook, Uber, WhatsApp e Instagram que cresceram e obtiveram sucesso absoluto, reforçando o apelo do sonho de se ter um negócio próprio.

EMPREENDER: A FORÇA MOTRIZ DO CRESCIMENTO & SUPERAÇÃO

Segundo a pesquisa “Perfil do LIDE Futuro”, realizada pela fundação Getúlio Vargas, o principal obstáculo visto pelos jovens que desejam empreender é o cenário econômico brasileiro atual, visto por muitos como desfavorável. Tal conjuntura, no entanto, apesar de intimidadora, deve ser encarada como uma possibilidade de superação, haja vista que a pesquisa supramencionada do fórum mundial constatou que a tendência é que exista uma maior busca por crescimento em mercados que se apresentam como sendo altamento competitivos e adversos.

De fato, o cenário econômico brasileiro (quicá mundial) pode muito bem ser encarado como uma excelente oportunidade de se buscar novas opções e caminhos. De fato, conforme supramencionado, existe hoje uma grande quantidade de jovens que buscam o ato de empreender como uma forma alternativa de buscar uma renda por ter dificuldade de inserir-se no mercado de trabalho.